Resumo da notícia
- A França anunciou mais de € 1 bilhão em apoio aos agricultores afetados pela seca, calor extremo e incêndios, visando compensar perdas, reduzir custos e preservar a produção de 2027.
- O governo destinará € 520 milhões para indenizações, elevará adiantamentos para agricultores segurados e reservará € 30 milhões para perdas não cobertas por seguros.
- Um fundo de € 235 milhões financiará insumos para a próxima safra, especialmente para a pecuária, enquanto medidas também reduzem custos de fertilizantes e diesel até o fim do ano.
A França anunciou mais de € 1 bilhão em apoio aos agricultores atingidos pela seca, pelo calor extremo e pelos incêndios de 2026. Com os recursos, o governo pretende compensar perdas, reduzir custos e preservar a produção de 2027.
A medida integra o CASI, pacote criado pelo governo francês para enfrentar os efeitos da seca, do clima extremo e dos incêndios no campo.
- Picanha brasileira fica em 15º entre os melhores pratos do mundo
- Nanotecnologia melhora o aproveitamento de ativos na pulverização agrícola
O cenário climático ajuda a explicar o tamanho da ajuda. Em julho, a temperatura média chegou a 24,9 °C, recorde para um mês na série histórica da Météo-France. Além disso, cerca de 65% do território enfrentou uma situação de seca considerada inédita, enquanto 95 departamentos adotaram restrições ao uso da água.
Perdas no campo passam de € 10 bilhões
Em algumas regiões, a seca reduziu a produtividade em até 50%. Ao mesmo tempo, os estoques de forragem ficaram mais de 50% abaixo do normal em determinadas áreas, aumentando os gastos dos pecuaristas.
Segundo a FNSEA, (Federação Nacional dos Sindicatos de Operadores Agrícolas), as perdas já ultrapassam € 10 bilhões. A entidade estima prejuízos superiores a € 5 bilhões tanto na pecuária quanto na produção de grãos.
Além disso, entre 30 mil e 35 mil propriedades enfrentam dificuldades financeiras. O impacto também chega à economia: o Ministério da Economia francês estima que as perdas agropecuárias podem reduzir em 0,1 ponto percentual o crescimento do país em 2026.
€ 520 milhões serão usados em indenizações
Do pacote, o governo destinará cerca de € 520 milhões às indenizações. Para os agricultores segurados, elevação do limite dos adiantamentos de 70% para 80% do valor estimado permitirá antecipar parte dos recursos. Além disso, o governo reservará € 30 milhões para atender perdas não cobertas por seguros. A medida inclui danos em culturas permanentes, vinhedos e criações.
O pacote também prevê mais de € 300 milhões em reduções de impostos sobre propriedades rurais não edificadas. Dessa forma, os produtores poderão reduzir parte das despesas enquanto enfrentam a queda na receita.
€ 235 milhões ajudam na próxima safra
Além das indenizações, o governo criou um fundo de € 235 milhões para financiar a compra de sementes, mudas, rações, forragens e outros insumos.
Com isso, a França busca evitar que a falta de caixa provoque uma nova queda na produção em 2027. O governo também poderá facilitar a transferência de forragem entre regiões e recorrer a fornecedores de outros países europeus, caso necessário.
A medida beneficia principalmente a pecuária. Como a seca reduziu a disponibilidade de pastagens e forragem, os produtores precisam reforçar a alimentação dos rebanhos nos próximos meses.
Fertilizantes e diesel também recebem apoio
Enquanto tenta recuperar a produção, o governo também reduziu parte dos custos dos insumos. O programa de apoio à compra de fertilizantes nitrogenados foi prorrogado até 31 de dezembro de 2026, com estrutura de € 145 milhões. Além disso, o benefício para o diesel agrícola foi estendido até outubro. O apoio chega a € 0,15 por litro, com custo estimado em € 106 milhões.
O pacote ainda prevê € 20 milhões para ajudar produtores com contribuições sociais agrícolas. Assim, propriedades em situação financeira mais difícil terão mais tempo para reorganizar os pagamentos.
França muda cálculo das perdas
A partir de 2027, o governo deverá ampliar de cinco para oito anos o período usado para calcular as perdas de produtividade. A mudança pretende evitar que anos consecutivos de clima adverso reduzam excessivamente a média histórica utilizada no cálculo das indenizações.
Por fim, o governo também anunciou flexibilizações temporárias de algumas exigências administrativas e regras relacionadas à cobertura do solo. Com essas medidas, a França tenta preservar a produção de 2027 enquanto os agricultores enfrentam perdas superiores a € 10 bilhões, segundo a FNSEA.