Compras norte-americanas somam 3,8 milhões de sacas até setembro, enquanto exportações brasileiras geram US$ 10,1 bilhões no período
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Foto: Arquivo Agro em Campo

Os Estados Unidos voltaram a liderar o ranking dos países que mais compram café do Brasil em 2026, superando a Alemanha. Entre janeiro e setembro, os norte-americanos importaram 3,805 milhões de sacas de 60 quilos de café brasileiro, enquanto os alemães adquiriram 3,307 milhões de sacas.

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Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os Estados Unidos responderam por 13,1% das exportações brasileiras do produto no período. Já a Alemanha ficou com 11,4%, ocupando a segunda posição entre os destinos do café nacional.

Apesar dessa retomada, as compras norte-americanas ainda ficaram 12,8% abaixo do volume registrado nos nove primeiros meses de 2025. Da mesma forma, a Alemanha reduziu suas aquisições, com queda de 11,4% na comparação anual.

Exportações mantêm volume, mas receita cai

De janeiro a setembro, o Brasil exportou 29,095 milhões de sacas de café, volume 0,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Em contrapartida, a receita caiu 8,6% e totalizou US$ 10,113 bilhões.

Essa diferença mostra que exportar praticamente a mesma quantidade não significa, necessariamente, manter o faturamento. De acordo com o Cecafé, a redução das cotações internacionais, questões relacionadas à qualidade de parte dos primeiros lotes de arábica e a maior participação dos canéforas nas vendas externas contribuíram para pressionar a receita.

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Além disso, as chuvas atrasaram parte das operações de colheita e, consequentemente, a chegada de novos lotes aos embarques. Com o avanço da safra, porém, os cafés da nova temporada começaram a ganhar espaço nas exportações.

Embarques aos Estados Unidos avançam em setembro

Em setembro, as compras norte-americanas de café brasileiro cresceram de forma expressiva. Naquele mês, os Estados Unidos importaram 625.192 sacas, alta de 86,4% em relação a setembro de 2025, quando adquiriram 335.339 sacas.

No mesmo período, o Brasil exportou 3,894 milhões de sacas para todos os destinos, avanço de 3,1% na comparação anual. A receita, entretanto, seguiu o caminho contrário: recuou 7,1% e somou US$ 1,282 bilhão.

Segundo o Cecafé, a recuperação das vendas também ocorreu em meio a mudanças nas tarifas norte-americanas. Em novembro de 2025, o governo dos Estados Unidos retirou a taxação da maior parte do café brasileiro. Posteriormente, em julho de 2026, o café solúvel também passou a integrar a lista de exceções.

Com isso, os exportadores encontraram condições mais favoráveis para retomar as negociações. Ainda assim, o avanço registrado em setembro não foi suficiente para compensar a queda acumulada das compras norte-americanas ao longo do ano.

Arábica perde espaço, enquanto canéforas avançam

O café arábica continuou como o principal produto da pauta exportadora brasileira. Entre janeiro e setembro, o Brasil embarcou 20,739 milhões de sacas, equivalentes a 71,3% do total. Apesar dessa liderança, o volume caiu 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Por outro lado, os embarques de conilon e robusta, variedades do grupo dos canéforas, avançaram 68,3% e alcançaram 5,162 milhões de sacas. Dessa maneira, essa categoria passou a representar 17,7% das exportações brasileiras de café.

Já o café solúvel somou 3,141 milhões de sacas, o equivalente a 10,8% dos embarques. Enquanto isso, o café torrado e torrado e moído totalizou 53.412 sacas.

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Essa mudança na composição das exportações ajuda a entender parte da pressão sobre o faturamento. Como os canéforas costumam apresentar cotações inferiores às do arábica, o aumento de sua participação pode reduzir o valor médio recebido por saca. Ainda assim, esse resultado também depende das cotações internacionais e dos preços negociados em cada mercado.

Cafés diferenciados também registram queda

Além das mudanças na composição dos embarques, os cafés diferenciados brasileiros também enfrentaram retração nos nove primeiros meses de 2026. Essa categoria reúne produtos que se destacam por atributos especiais de qualidade e diferenciação.

No período, o Brasil exportou aproximadamente 4,95 milhões de sacas desses cafés, volume 16,3% inferior ao registrado nos mesmos meses de 2025. A receita também recuou, com queda de 19,6%, para cerca de US$ 2,02 bilhões.

Mesmo diante desse cenário, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino dos produtos diferenciados. O mercado norte-americano comprou 813.829 sacas, equivalentes a 16,4% dos embarques dessa categoria.

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Portanto, embora os Estados Unidos tenham retomado a liderança entre os compradores de café brasileiro, o desempenho das exportações exige uma análise que vá além do volume vendido. Afinal, as cotações internacionais, a composição dos embarques e o comportamento de cada mercado também influenciam a receita obtida pelo setor.