A valorização do real frente ao dólar pressionou os preços da soja e do milho no mercado brasileiro. Na soja, o volume exportado e os embarques recordes de farelo em setembro limitaram as baixas. No milho, a retração dos compradores, a oferta da safra 2025/26 e o ritmo mais lento das exportações reforçaram a pressão sobre as cotações, segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

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Soja: exportações recordes para setembro limitam queda dos preços

A valorização do real reduz a competitividade da soja brasileira em relação à norte-americana. Esse movimento tende a pressionar os preços internos, conforme pesquisadores do Cepea. Os embarques, porém, ajudaram a conter as baixas. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 7,36 milhões de toneladas de soja em grão em setembro.

O volume ficou 25% abaixo do registrado em agosto, movimento considerado comum para o período. Apesar da retração mensal, o resultado foi recorde para setembro. As exportações de farelo de soja também atingiram um recorde para o mês. Os embarques cresceram 10% em relação a agosto e 18,5% na comparação com setembro de 2025, segundo a Secex. Os dados indicam que a demanda externa continuou contribuindo para sustentar o mercado brasileiro, mesmo com a pressão cambial sobre os preços.

Milho: compradores recuam e cotações continuam em baixa

No mercado de milho, a desvalorização do dólar frente ao real e a retração dos compradores mantêm as cotações domésticas sob pressão. Segundo o Cepea, outros fatores contribuem para esse movimento. Entre eles estão a queda dos preços internacionais, que reduz a paridade de exportação, a produção recorde brasileira na safra 2025/26 e o ritmo das vendas externas, inferior ao observado na temporada anterior.

Com as exportações enfraquecidas e o avanço da semeadura da safra de verão, compradores aguardam novas reduções de preços antes de fechar negócios. A expectativa, segundo pesquisadores do Cepea, é de baixas mais expressivas no curto prazo. Parte desses agentes, entretanto, já procura garantir compras para entrega nos próximos meses. A estratégia busca manter estoques em níveis considerados confortáveis.

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Do lado vendedor, produtores têm demonstrado maior flexibilidade nas negociações. Além dos preços, há abertura para ajustes nos prazos de pagamento e de entrega, enquanto as atividades de campo seguem como prioridade.