Resumo da notícia
- O setor brasileiro de vinhos, espumantes e sucos de uva realizou 140 reuniões comerciais na ProWine São Paulo 2026, gerando US$ 900 mil em negócios imediatos e previsão de US$ 1,9 milhão em 12 meses.
- Compradores de sete países, como China, Reino Unido e Angola, participaram da rodada, evidenciando a estratégia de diversificação para reduzir a dependência do mercado dos EUA.
- As exportações brasileiras de vinhos e espumantes cresceram 23,7% no primeiro semestre de 2026, alcançando US$ 6,79 milhões e ampliando a presença em 79 países.
O setor brasileiro de vinhos, espumantes e sucos de uva ampliou as oportunidades de exportação após uma rodada comercial que reuniu 24 empresas nacionais e compradores de sete países. Os encontros aconteceram entre 6 e 8 de outubro, durante a ProWine São Paulo 2026, e resultaram em 140 reuniões de negócios.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), responsável pela iniciativa, informou que as negociações geraram US$ 900 mil em negócios imediatos e uma previsão adicional de US$ 1,9 milhão para os próximos 12 meses.
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Os valores representam oportunidades comerciais identificadas durante o evento. Parte das negociações ainda depende da concretização dos contratos e não pode ser contabilizada como exportação efetivamente realizada.
A rodada integrou o programa Exporta Mais Brasil, desenvolvido em parceria com o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), por meio do projeto Wines of Brazil.
Sete países demonstram interesse pelos vinhos brasileiros
Os encontros comerciais reuniram representantes da China, Reino Unido, Países Baixos, Angola, Rússia, México e Paraguai.
A presença desses compradores reflete a estratégia do setor de ampliar sua atuação internacional e buscar oportunidades além dos mercados tradicionais.
A diversificação ganhou importância em 2026, especialmente diante das mudanças nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Conforme o Agro em Campo mostrou em agosto, as exportações brasileiras de vinhos para o mercado norte-americano recuaram 39,6% no primeiro semestre, enquanto outros destinos ampliaram suas compras.
O Paraguai, por exemplo, permanece entre os principais compradores dos produtos brasileiros.
A aproximação com novos importadores pode ajudar as vinícolas a reduzir a dependência de determinados mercados e ampliar as possibilidades de comercialização.
Durante o evento em São Paulo, os representantes estrangeiros também participaram de visitas a vinícolas, degustações e apresentações de produtos.
Segundo a ApexBrasil, essas atividades permitiram que os compradores conhecessem as características da produção nacional e avaliassem oportunidades comerciais.
Exportações brasileiras cresceram 23,7% em 2026
As negociações aconteceram em um momento de expansão das vendas internacionais de vinhos e espumantes brasileiros.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 6,79 milhões nesses produtos, crescimento de 23,73% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os vinhos responderam por US$ 5,61 milhões, avanço de 24,66%. Já os espumantes movimentaram US$ 1,18 milhão, alta de 19,50%.
Os produtos brasileiros chegaram a 79 países durante os seis primeiros meses do ano, segundo informações do projeto Wines of Brazil.

O desempenho mostra que o setor vem ampliando sua presença internacional, embora ainda enfrente a concorrência de países com maior tradição e participação no comércio mundial de vinhos.
A especialista da Gerência Regional da ApexBrasil, Camila Torres Meyer, considera que a diversidade da produção brasileira contribui para a abertura de mercados.
“Quando falamos em vinhos brasileiros, falamos de diversidade, inovação e identidade. O Brasil possui terroirs únicos que permitem a produção de vinhos, espumantes e sucos de uva com perfis distintos e reconhecidos internacionalmente. Os resultados alcançados nesta edição do programa Exporta Mais demonstram o interesse crescente dos compradores estrangeiros pela qualidade e pela diversidade da produção nacional. As conexões construídas durante o evento reforçam o potencial do setor para ampliar sua presença nos mercados internacionais e gerar novas oportunidades para as empresas brasileiras”, destacou.
Brasil já reúne 965 vinícolas registradas
O crescimento das oportunidades internacionais acompanha a expansão do número de estabelecimentos produtores de vinho no país.
Segundo o Anuário do Vinho 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil passou de 682 vinícolas registradas em 2020 para 965 em 2025.
O aumento foi de 41,5% em cinco anos.
Os estabelecimentos estão distribuídos por 327 municípios brasileiros, com forte concentração na Região Sul.
O Rio Grande do Sul lidera o levantamento, com 600 vinícolas registradas. Santa Catarina aparece na segunda posição, com 102, seguida por São Paulo, com 86.
A expansão do número de produtores aumenta a diversidade da oferta nacional e amplia o universo de empresas que podem buscar oportunidades no comércio exterior.
Entretanto, a entrada em novos mercados exige adequação às regras sanitárias, comerciais e de rotulagem de cada país, além de capacidade logística e competitividade de preços.