Resumo da notícia
- As exportações brasileiras de vinhos e espumantes cresceram 23,73% no primeiro semestre de 2026, somando US$ 6,79 milhões e alcançando 79 países, com expansão da presença internacional.
- Os vinhos tranquilos cresceram 24,66%, superando os espumantes que avançaram 19,50%, indicando maior reconhecimento internacional da diversidade e qualidade dos vinhos brasileiros.
- Consumidores internacionais valorizam produtos com identidade e histórias únicas, favorecendo a vitivinicultura brasileira que investe em promoção e diversificação de mercados estratégicos.
As exportações brasileiras de vinhos e espumantes mantiveram a trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026 e confirmaram o avanço da vitivinicultura nacional no mercado internacional. Entre janeiro e junho, os embarques somaram US$ 6,79 milhões, um salto de 23,73% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor exportado havia alcançado US$ 5,49 milhões.
O desempenho reflete um movimento construído ao longo dos últimos anos, que ampliou a presença do vinho brasileiro em mercados estratégicos, consolidou ações de promoção comercial e diversificou os destinos internacionais dos produtos. No período, os vinhos e espumantes nacionais chegaram a 79 países, um crescimento de 20,4% no número de mercados atendidos.
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O gerente de Promoção para Mercado Externo do Consevitis-RS, Rafael Romagna, atribui o resultado a um trabalho contínuo de promoção internacional. Segundo ele, a presença em feiras, rodadas de negócios e ações com compradores e formadores de opinião amplia a visibilidade e a competitividade dos vinhos brasileiros no exterior. Romagna também destaca a maior diversificação de mercados como fator que reduz a dependência de poucos destinos.
Para o gestor, os números indicam uma evolução consistente do posicionamento do vinho brasileiro no cenário internacional, fruto de um processo contínuo de fortalecimento da imagem do país como produtor de vinhos de qualidade.
Vinhos avançam acima dos espumantes e ampliam presença internacional
Os espumantes continuam como o principal cartão de visitas da vitivinicultura brasileira no exterior, mas o primeiro semestre de 2026 trouxe uma mudança relevante: os vinhos registraram crescimento superior ao dos espumantes nas exportações em valor. Enquanto os espumantes avançaram 19,50% e atingiram US$ 1,18 milhão, os vinhos cresceram 24,66% e alcançaram US$ 5,61 milhões.

Romagna interpreta o desempenho como sinal de que o reconhecimento internacional conquistado pelos espumantes brasileiros começa a se estender aos vinhos tranquilos. Segundo ele, os vinhos brasileiros vêm conquistando espaço no mercado internacional em um contexto geral, o que complementa um movimento já consolidado dos espumantes, e mostra ampliação do reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros em diferentes categorias. O executivo reforça que os espumantes seguem como porta de entrada importante para diversos mercados, mas o interesse por vinhos que expressem a diversidade da produção nacional e agreguem valor pela origem cresce de forma consistente.
Identidade brasileira ganha espaço entre consumidores
A evolução das exportações acompanha uma mudança no comportamento do consumidor internacional. Importadores buscam cada vez mais produtos capazes de contar histórias, traduzir seus territórios de origem e oferecer características únicas. Um movimento que favorece países produtores com identidade própria. Romagna afirma que o consumidor internacional demonstra interesse por vinhos que carreguem histórias e expressem seus territórios de origem, cenário em que o vinho brasileiro tem conseguido se destacar.

O executivo destaca que o Brasil reúne características pouco comuns no cenário mundial, como a convivência de três modelos distintos de vitivinicultura. O país hoje apresenta ao mercado internacional vinhos produzidos em regiões tradicionais, vinhos de inverno e vinhos tropicais, o que amplia a capacidade de atender diferentes perfis de consumidores e fortalece o posicionamento do Brasil como produtor inovador.
Outro diferencial é o reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros, reforçado pela criação da primeira Denominação de Origem específica para espumantes do Hemisfério Sul, que consolidou a reputação do país nessa categoria.
Promoção internacional aproxima vinícolas e compradores
Parte desse crescimento está ligada às ações desenvolvidas pelo Wines of Brazil. Ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026, o projeto intensificou sua presença em eventos como a Wine Paris, a ProWein Düsseldorf e a Vinexpo America, além de promover rodadas de negócios, missões comerciais e projetos compradores realizados no Brasil.
Romagna descreve o Wines of Brazil como um facilitador do processo de internacionalização das vinícolas brasileiras, já que essas iniciativas aproximam empresas e compradores internacionais e geram oportunidades comerciais que contribuem diretamente para o crescimento das exportações. Os indicadores do projeto sustentam essa avaliação. As ações desenvolvidas em 2024 e 2025 geraram cerca de US$ 21,5 milhões em oportunidades de negócios para as empresas participantes. Um volume expressivo diante dos aproximadamente US$ 24 milhões em exportações somados no mesmo período.
Diversificação de mercados reduz riscos e amplia oportunidades
Além do crescimento em valor, a ampliação da presença internacional é outro indicador estratégico para o Wines of Brazil. Em vez de concentrar as exportações em poucos destinos, o projeto busca fortalecer mercados já consolidados e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades comerciais. Romagna explica que o crescimento em mercados consolidados ocorreu paralelamente à entrada em novos destinos, resultado da estratégia de prospecção internacional desenvolvida pelo projeto e pelas vinícolas participantes.

A Rússia figura entre os exemplos citados pelo executivo. O país passou a receber atenção especial do Wines of Brazil nos últimos anos, em função de mudanças no cenário internacional. E o projeto identificou ali uma oportunidade de mercado que motivou investimento contínuo na prospecção de compradores locais.
Para os próximos anos, Estados Unidos, China, Reino Unido, México e Paraguai estão entre os mercados prioritários do projeto. E que também acompanha oportunidades em países como Japão, Emirados Árabes Unidos e Rússia.
Perspectiva é manter trajetória de crescimento
Mesmo diante das incertezas do cenário econômico internacional, a expectativa é de continuidade no processo de internacionalização. Romagna afirma que os resultados do primeiro semestre reforçam perspectivas positivas para o restante de 2026. E reconhece que o cenário internacional exige cautela diante das oscilações econômicas e geopolíticas. Ainda assim, ele aposta que o trabalho consistente de promoção internacional continuará ampliando a presença do vinho brasileiro no exterior.
Exportações brasileiras no 1º semestre de 2026
- Valor exportado: US$ 6,79 milhões
- Crescimento geral: +23,73%
- Espumantes: US$ 1,18 milhão (+19,50%)
- Vinhos: US$ 5,61 milhões (+24,66%)
- Destinos: 79 países (+20,4%)
- Empresas exportadoras apoiadas pelo projeto: 19 vinícolas
- Participação das empresas do projeto nas exportações totais: 60,81%
- Participação das empresas do projeto nas exportações de espumantes: 65,83%
Diferenciais que fortalecem o vinho brasileiro no exterior
- Reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros
- Diversidade de terroirs e regiões produtoras
- Produção em três modelos de vitivinicultura: tradicional, vinhos de inverno e vinhos tropicais
- Produtos com identidade, origem e autenticidade








