Resumo da notícia
- A pesquisa do Projeto Forrageiras para o Semiárido selecionou espécies de forrageiras adaptadas à seca, beneficiando 10,4 mil produtores com soluções para garantir alimento ao gado na estiagem.
- O projeto avaliou 30 espécies em regime de sequeiro e testou a resistência das plantas com pastejo animal, identificando gramíneas que oferecem maior segurança alimentar para rebanhos no Semiárido.
- Novas tecnologias, como fertilizante foliar à base de carbono aplicado na palma forrageira, podem aumentar a produtividade e reduzir o ciclo de corte de 18 para 12 meses, ampliando a oferta de alimento sem expandir áreas.
A busca por alternativas para garantir alimento aos rebanhos durante os períodos de estiagem tem impulsionado novas tecnologias no agronegócio brasileiro. No Semiárido, espécies como a palma forrageira e capins adaptados à seca estão transformando a produção pecuária e ajudando milhares de produtores a enfrentar os desafios climáticos da região.
O chamado ‘novo mar verde do sertão’ reúne plantas selecionadas ao longo de quase uma década de pesquisas conduzidas pelo Projeto Forrageiras para o Semiárido, iniciativa da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Desde 2017, o projeto já impactou cerca de 10,4 mil produtores rurais, levando conhecimento e soluções voltadas à produção de alimento para os animais mesmo em períodos de pouca chuva.
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Pesquisa identificou forrageiras mais adaptadas ao Semiárido
A primeira etapa do projeto avaliou 30 espécies de forrageiras cultivadas em regime de sequeiro. O objetivo era descobrir quais apresentavam melhor desempenho diante das condições típicas do Semiárido, marcadas por altas temperaturas e escassez de água.
Com os resultados obtidos, os pesquisadores avançaram para uma nova fase, incluindo o pastejo dos animais nas áreas experimentais. Dessa forma, foi possível verificar o comportamento das espécies em situações reais de produção pecuária.
Segundo a coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, a pesquisa permitiu selecionar gramíneas e plantas forrageiras capazes de oferecer maior segurança alimentar aos rebanhos.
“Esse projeto nasceu em 2017. Na primeira fase testamos 30 espécies forrageiras em regime de sequeiro. Na fase 2, a gente colocou o componente animal para pastejar as gramíneas que apresentaram os melhores resultados.”
Tecnologia pode aumentar a produtividade da palma forrageira
Além da seleção de espécies resistentes à seca, a iniciativa também investe em novas tecnologias para ampliar a produção de alimento para os animais.
Em parceria com diferentes instituições, pesquisadores estão testando um fertilizante foliar à base de moléculas de carbono aplicado diretamente na palma forrageira, uma das principais fontes de alimentação dos rebanhos no Semiárido.
A expectativa é aumentar a produtividade da cultura, melhorar o aproveitamento da adubação nitrogenada e elevar a qualidade nutricional do alimento oferecido aos animais.
“Nós somos hoje os pioneiros nesses testes. Nunca se realizou um teste em regime de sequeiro com adubação foliar na palma.”
De acordo com Alenilda Carvalho, os estudos também avaliam a possibilidade de reduzir o ciclo de corte da palma. Atualmente, a colheita costuma ocorrer em cerca de 18 meses, mas os pesquisadores acreditam que esse período poderá cair para apenas 12 meses.
Caso a expectativa se confirme, os produtores poderão ampliar a oferta de alimento para os rebanhos sem a necessidade de expandir as áreas cultivadas.
“Daqui para dezembro a gente vai realizar o primeiro corte nessa área experimental. A nossa intenção é aumentar a produtividade, reduzir o período de corte e aumentar a qualidade nutritiva desse material, que é a palma forrageira.”
Os resultados dessa etapa ainda estão em avaliação e devem ser concluídos até dezembro. Somente após a validação dos dados a tecnologia poderá avançar para a fase de disponibilização comercial.
Projeto surgiu para enfrentar um dos maiores desafios da pecuária nordestina
Durante a apresentação do Rally Forrageiras para o Semiárido, realizada em Baixa Grande, na Bahia, o presidente da CNA, João Martins, destacou que a iniciativa nasceu da necessidade de desenvolver pesquisas voltadas especificamente para a realidade do Nordeste.
Segundo ele, apesar dos avanços obtidos pela Embrapa em diversas regiões do país, ainda havia espaço para ampliar os estudos relacionados à produção de forragem adaptada às condições climáticas do Semiárido.
“Como é que nós temos uma Embrapa que conseguiu transformar uma das regiões mais pobres de solo nas terras mais produtivas do mundo? E por que essa mesma Embrapa até hoje não conseguiu fazer com que o Nordeste tivesse forrageiras, gramíneas que pudessem resistir mais à seca e alimentar os animais durante o período de seca?”
Martins afirmou que a CNA destinou R$ 5 milhões para dar início às pesquisas, que posteriormente passaram a contar com a participação da Embrapa e de outros parceiros.
Para o dirigente, a continuidade dos estudos será fundamental para preparar o setor agropecuário diante dos impactos das mudanças climáticas e dos períodos de seca cada vez mais intensos.
“A pesquisa tem de continuar, vai continuar. Pesquisa é uma coisa constante. Hoje você tem um cenário, amanhã você tem outro. Há 10 anos atrás nós não tínhamos expectativa de ter uma super seca. Hoje estamos dizendo que nós vamos ter uma super seca.”
Rally vai levar tecnologias para produtores de dez estados
A nova etapa do projeto será marcada pelo Rally Forrageiras para o Semiárido, que percorrerá dez estados brasileiros para apresentar os resultados obtidos ao longo dos últimos anos.
A iniciativa busca acelerar a adoção das tecnologias desenvolvidas pela pesquisa, ampliando o uso de forrageiras resistentes à seca, fortalecendo a pecuária do Semiárido e contribuindo para a segurança alimentar dos rebanhos em uma das regiões mais desafiadoras para a produção agropecuária do país.








