Resumo da notícia
- A carne argentina atingiu US$ 7.700 por tonelada na China, alta de 43% em um ano, impulsionada pela redução temporária das exportações do Brasil e Austrália ao mercado chinês.
- Brasil e Austrália já atingiram suas cotas anuais para 2026, sofrendo tarifas extras, o que diminuiu suas exportações e abriu espaço para Argentina e Uruguai aumentarem suas vendas na China.
- A menor oferta de gado para abate na Argentina, combinada com maior demanda externa, valorizou os preços dos animais, beneficiando os produtores locais, embora a janela de oportunidade seja estimada em cerca de 60 dias.
A carne argentina chegou a US$ 7.700 por tonelada na China, alta de cerca de 43% em um ano. O avanço ocorre enquanto Brasil e Austrália reduzem temporariamente sua participação no mercado chinês. Com isso, Argentina e Uruguai encontram mais espaço para negociar seus produtos.
Segundo dados da Bolsa de Comércio de Rosário, cortes argentinos como dianteiro e garrão passaram de aproximadamente US$ 5.400 por tonelada há um ano para US$ 7.700 atualmente. Há um mês, esses produtos eram negociados por cerca de US$ 7.200.
Além disso, a valorização ocorre em um cenário de menor concorrência entre os principais fornecedores. Ao mesmo tempo, fatores como oferta argentina, demanda chinesa, câmbio e disponibilidade mundial de carne também influenciam os preços.
- Cota de carne bovina da China pode acabar em março ou abril de 2027
- Conab projeta 34,07 milhões de toneladas de carnes em 2026
Brasil e Austrália reduzem espaço na China
A Austrália já atingiu sua cota anual de carne bovina para a China. O país recebeu um limite de 205 mil toneladas para 2026 e, depois de atingir esse volume, passou a enfrentar a tarifa adicional de 55% para embarques acima da cota.
No caso brasileiro, a China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para 2026. Acima desse limite, também incide a tarifa adicional de 55%.
O Brasil avançou rapidamente sobre esse volume. Por isso, os embarques perderam ritmo depois que a cota chinesa foi atingida.
Em agosto, as exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27,1% em volume na comparação com o mesmo mês de 2025. Ainda assim, de janeiro a agosto, o Brasil aumentou em 4,7% o volume exportado e em 22,3% o valor das vendas.
Nesse cenário, a menor presença dos dois grandes fornecedores diminuiu temporariamente a concorrência disponível para os compradores chineses.
Valorização chega ao mercado de gado argentino
O movimento também começou a afetar o mercado argentino de animais para abate.
Entre janeiro e agosto, a Argentina abateu cerca de 1,6 milhão de vacas, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, nas duas primeiras semanas de setembro, o recuo chegou a 15% na comparação anual.
Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, as vacas destinadas à produção de carne para exportação passaram a apresentar valorização, enquanto outras categorias permaneceram mais estáveis.
Assim, a combinação entre menor oferta de animais e maior procura da indústria ajuda a sustentar os preços das categorias utilizadas para atender o mercado externo.
Para os produtores argentinos, portanto, a mudança no comércio internacional já começa a aparecer dentro da porteira.
Janela para Argentina e Uruguai pode ser curta
Apesar da valorização, o cenário pode mudar nos próximos meses.
A Bolsa de Comércio de Rosário estima uma janela de aproximadamente 60 dias para Argentina e Uruguai aproveitarem a menor concorrência antes de uma possível retomada mais forte das vendas de Brasil e Austrália.
Enquanto isso, o Brasil já se prepara para a nova cota chinesa. Para 2027, o limite brasileiro sobe para 1,128 milhão de toneladas, apenas 22 mil toneladas acima do volume estabelecido para 2026.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o novo volume pode ser consumido rapidamente caso o ritmo dos embarques continue elevado.
Por outro lado, a demanda chinesa ainda representa uma variável importante. Estoques elevados de proteínas no país podem influenciar o ritmo das compras nos próximos meses.
Dessa forma, a disputa pelo mercado chinês não depende apenas da quantidade de carne disponível. O calendário das cotas, o ritmo dos embarques, os preços internacionais e a demanda dos importadores também podem alterar o espaço ocupado por cada fornecedor.