Bactéria pode estar presente em galinhas sem sintomas e contaminar os ovos durante sua formação, exigindo monitoramento e biosseguridade
galinhas
Foto: Divulgação

Um surto de Salmonella Enteritidis associado ao consumo de ovos deixou pelo menos 306 pessoas doentes na Bélgica até agosto de 2026. A investigação identificou uma granja em Geel, na região de Flandres, como origem da contaminação. Segundo a Reuters, até 2 milhões de ovos potencialmente contaminados foram distribuídos, inclusive para outros países europeus.

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O caso reforça um desafio conhecido da avicultura: a bactéria pode infectar aves aparentemente saudáveis. Por isso, a ausência de sinais clínicos não elimina o risco de contaminação dos alimentos.

Como a Salmonella chega ao ovo

A Salmonella Enteritidis pode contaminar o ovo durante sua formação. Segundo a Embrapa, aves infectadas por salmonelas podem atuar como portadoras sem apresentar sinais clínicos. Além disso, a bactéria pode atingir o trato reprodutivo e contaminar o ovo antes da formação completa da casca.

Dessa forma, apenas observar a aparência das aves ou dos ovos não permite identificar uma possível contaminação. O controle depende de monitoramento, análises laboratoriais e medidas de biosseguridade durante a produção.

No caso investigado, as autoridades identificaram inicialmente a contaminação em uma das instalações da granja. Depois, novos casos levaram à realização de outras análises. Os testes encontraram a bactéria em outro galpão e, em agosto, as autoridades ampliaram as medidas para toda a propriedade, com o recolhimento dos ovos envolvidos.

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Como o Brasil controla a bactéria

No Brasil, o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) inclui as salmonelas entre os agentes submetidos a medidas de controle oficial. O Ministério da Agricultura estabelece procedimentos de monitoramento para estabelecimentos avícolas e regras de biosseguridade.

Além disso, a Instrução Normativa SDA nº 20, de 2016, estabelece procedimentos para o controle e o monitoramento de Salmonella spp. em determinados estabelecimentos avícolas comerciais e unidades de abate registradas no Serviço de Inspeção Federal.

Segundo o Ministério da Agricultura, as medidas de biosseguridade buscam prevenir, controlar e limitar a exposição das aves a agentes causadores de doenças. Assim, as ações ajudam a reduzir a entrada e a disseminação de agentes infecciosos nas granjas.

Monitoramento reduz o risco sanitário

O episódio também mostra a importância da rastreabilidade quando as autoridades identificam uma contaminação. Nesse contexto, localizar rapidamente a origem e os lotes envolvidos permite bloquear produtos suspeitos e reduzir a exposição dos consumidores.

A resposta sanitária também exige investigação e acompanhamento dos estabelecimentos envolvidos. Por isso, além da fiscalização, o controle depende de monitoramento contínuo, biosseguridade e capacidade de reação diante de resultados positivos.