Cerca de 15 navios atravessam diariamente uma rota próxima à costa de Omã para manter o fluxo global de petróleo, apesar dos riscos de colisão e das tensões no Golfo Pérsico
Com apoio dos Estados Unidos, navios de petróleo mantêm operações em meio ao agravamento da crise no Estreito de Ormuz — Foto: Petrobras

O transporte global de petróleo segue enfrentando desafios no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo. Diante do bloqueio imposto pelo Irã, diversos navios petroleiros passaram a utilizar uma rota alternativa próxima ao litoral de Omã, considerada mais arriscada por especialistas do setor marítimo.

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De acordo com informações divulgadas pelo jornal Financial Times, cerca de 15 embarcações utilizam diariamente esse trajeto, sendo a maioria composta por petroleiros. Além disso, duas fontes afirmaram que os navios contam com cobertura aérea das forças dos Estados Unidos durante a travessia.

Empresas ligadas ao transporte de petróleo e ao monitoramento do tráfego marítimo alertam para os riscos desse percurso. Segundo essas companhias, a passagem é extremamente estreita e oferece pouca margem para manobras.

Missão secreta dos EUA

Enquanto isso, na quarta-feira (10/6), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que está conduzindo uma “missão secreta” para garantir a circulação de petroleiros na região. Segundo o republicano, aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo já atravessaram a rota marítima e devem chegar aos mercados internacionais.

Além disso, Trump atribuiu a estabilidade dos preços internacionais do petróleo ao funcionamento desse corredor alternativo. Atualmente, o barril do Brent, principal referência global para o mercado, é negociado em torno de US$ 92. Antes do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o valor da commodity variava entre US$ 70 e US$ 72 por barril.

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Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

Irã reforça bloqueio no Estreito de Ormuz

Por outro lado, o governo iraniano voltou a sustentar que mantém um bloqueio total no Estreito de Ormuz. O país havia criado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PSGA) para supervisionar o tráfego marítimo na região, permitindo anteriormente a passagem controlada de algumas embarcações em coordenação com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

Entretanto, nesta quinta-feira (11), a agência Fars divulgou um comunicado oficial da PSGA informando que o estreito permanecerá fechado por tempo indeterminado. Dessa forma, embarcações que já haviam recebido autorização para cruzar a região deverão aguardar novas orientações das autoridades iranianas.

No comunicado, a autoridade afirmou:

“Em razão das tensões criadas pelas forças agressoras dos Estados Unidos na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã na noite passada, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso. Os solicitantes que receberam autorização de passagem devem aguardar e seguir as orientações futuras da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA).”

O cenário mantém elevada a atenção dos mercados de energia, da logística marítima internacional e das cadeias produtivas dependentes do abastecimento de petróleo, fator que pode influenciar custos de transporte, combustíveis e insumos em diversos setores da economia mundial.