Corrente de comércio soma US$ 29,5 bilhões até maio, com retração nas exportações e importações
Foto: divulgação - Terminal de Contêineres de Paranaguá

A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 29,5 bilhões entre janeiro e maio de 2026, queda de 14,3% na comparação anual, segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, divulgado pela Amcham Brasil nesta quarta-feira (10). A retração reflete a queda simultânea das exportações brasileiras e das importações de produtos norte-americanos.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

As exportações do Brasil para os EUA alcançaram US$ 14,0 bilhões no período, recuo de 16% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e o menor nível desde 2022. Já as importações totalizaram US$ 15,5 bilhões, com queda de 12,6%. Com isso, o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos cresceu 43,3% e atingiu US$ 1,5 bilhão.

A queda nas exportações brasileiras se concentra em produtos estratégicos como petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Nas importações, o Brasil reduziu as compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, além de óleos brutos de petróleo.

Em maio, o Brasil exportou US$ 3,1 bilhões para os Estados Unidos, valor 14% menor que o registrado no mesmo mês de 2025. O resultado marca o décimo mês consecutivo de queda nas exportações. As importações também recuaram 11% no mês, acumulando seis meses seguidos de retração.

Desempenho abaixo

O desempenho do comércio bilateral ficou abaixo do ritmo das exportações totais brasileiras, que cresceram 8,7% no acumulado do ano. No mesmo período, as vendas para os Estados Unidos caíram 16%. Produtos sujeitos a sobretaxas registraram queda ainda maior, de 22,6%.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o cenário exige avanço nas negociações bilaterais. “O comércio entre Brasil e Estados Unidos opera abaixo do potencial. É fundamental avançar nas negociações para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do fluxo comercial”, afirma.

O ambiente comercial também sofre influência das investigações conduzidas pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301. Caso as medidas em análise sejam implementadas, produtos brasileiros podem enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, o que tende a reduzir a competitividade frente a concorrentes internacionais.