Resumo da notícia
- A Cervecería Nacional Potosí produz a cerveja Potosina a 4.070 metros de altitude, onde a pressão reduzida altera o ponto de fervura da água para 85°C, exigindo ajustes únicos na fabricação.
- A cervejaria utiliza água pura das nascentes andinas, incorporando o Cerro Rico no rótulo como símbolo histórico e cultural da cidade de Potosí, reforçando sua identidade local.
- Com mais de 117 anos, a empresa familiar gera 145 empregos diretos, recebeu certificação Great Place to Work e expandiu suas exportações para os EUA, destacando-se no mercado internacional.
Na cidade de Potosí, na Bolívia, uma fábrica centenária carrega um título que nenhuma outra cervejaria no mundo disputa: o de mais alta do planeta. A Cervecería Nacional Potosí (CNP) opera a 4.070 metros acima do nível do mar e produz a cerveja Potosina, símbolo local que estampa o Cerro Rico, a montanha que definiu a história colonial da América do Sul, em seu rótulo verde.

A empresa nasceu em 1901, quando os imigrantes alemães Fernando Neumeyer e Valentín Vollmer fundaram a Vollmer y Compañía e começaram a fabricar cerveja na região. A sociedade se desfez em 1907, e Vollmer seguiu sozinho até consolidar a marca que hoje é sinônimo de Potosí. Desde 1934, a família Wille dirige o negócio, já na sua quarta geração, hoje sob o comando de Carlos Wille Bernardis.
Como a altitude extrema muda a produção da cerveja
Produzir cerveja a mais de 4 mil metros de altitude impõe desafios que nenhuma cervejaria ao nível do mar enfrenta. A pressão atmosférica reduzida altera o ponto de ebulição da água, que passa a ferver por volta dos 85°C em vez dos tradicionais 100°C. Uma diferença que exige ajustes finos no processo de fervura do mosto e no controle da fermentação.
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A CNP usa água de degelo e nascentes andinas para produzir a Potosina, uma lager pilsen de fermentação baixa e corpo leve. Portanto, a marca se define pela pureza da água de montanha, colhida a mais de 4 mil metros de altitude, como parte central da identidade do produto.

O rótulo verde da Potosina não é aleatório. A cerveja usa o Cerro Rico de Potosí, a montanha de prata que sustentou o Império Espanhol durante séculos e deu à cidade o título de uma das mais ricas do mundo colonial, como símbolo de identidade e origem. Para os moradores de Potosí, a fábrica funciona como parte do patrimônio da cidade, e não apenas como uma empresa local.
Uma marca familiar que já ultrapassa 117 anos de história
A Cervecería Nacional Potosí soma hoje mais de 117 anos de trajetória, gera 145 empregos diretos e mais de 500 indiretos. Além disso, mantém presença em seis departamentos bolivianos. Em dezembro de 2024, a empresa recebeu a certificação Great Place to Work, com aprovação de 90% entre os próprios funcionários, um reconhecimento raro para uma companhia de médio porte no setor de bebidas.

Além da Potosina tradicional, a cervejaria também produz a linha extra-premium “4000”, batizada em referência direta à altitude da fábrica. Além disso, nos últimos anos, a empresa ampliou sua atuação para fora da Bolívia. Ela iniciou a exportação da Potosina e da Potosina Light para os Estados Unidos, com desembarque previsto para a Flórida antes de seguir para Califórnia, Virgínia e Pensilvânia.
Viajantes que passam por Potosí, geralmente a caminho do Salar de Uyuni, costumam experimentar a Potosina como parte do ritual de aclimatação à altitude extrema. As avaliações variam. Parte dos apreciadores descreve uma pilsen simples, de aroma com notas de pão e leve amargor. Outros destacam o fator emocional de beber “a cerveja mais alta do mundo” logo depois de descer do Cerro Rico ou às margens do Salar. O consenso, no entanto, é que a Potosina se tornou parte da experiência de visitar a cidade, tanto quanto o próprio Cerro Rico.
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