Resumo da notícia
- Produtores rurais brasileiros estão mais cautelosos nos investimentos, reduzindo gastos em máquinas e fertilizantes, mas mantêm o uso de tecnologias para otimizar a produção e controlar despesas.
- Cerca de metade dos agricultores usa ao menos uma tecnologia agrícola, incluindo agronomia digital, biocontroles e bioestimulantes, priorizando custo e retorno esperado na adoção dessas ferramentas.
- Inteligência artificial generativa já é utilizada por 17% dos produtores para pesquisa e planejamento, mas agrônomos continuam sendo a principal fonte de influência nas decisões de compra no campo.
O produtor rural está mais cauteloso na hora de investir, mas mantém o uso de tecnologias na atividade. Essa é uma das conclusões do Global Farmer Insights 2026, estudo da McKinsey & Company, empresa global de consultoria de gestão, que ouviu 5.500 agricultores em dez países.
No Brasil, a intenção líquida de gastos caiu 24 pontos percentuais em relação a 2024. Com isso, os produtores passaram a controlar mais as despesas e a analisar o retorno esperado antes de realizar novos investimentos.
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Compras de máquinas podem ser adiadas
O levantamento mostra que 16% dos agricultores consideram os equipamentos uma área para reduzir gastos. Por outro lado, 36% esperam aumentar os investimentos quando a situação financeira melhorar.
Assim, parte das compras de máquinas pode ficar para depois. O mesmo comportamento aparece nos gastos com fertilizantes, que tendem a diminuir quando as margens ficam pressionadas e a voltar a crescer quando o cenário financeiro melhora.
Uso de tecnologias continua
Mesmo com o controle das despesas, cerca de metade dos agricultores pesquisados utiliza pelo menos uma tecnologia agrícola. O levantamento considera ferramentas como agronomia digital, agricultura de precisão e sensoriamento remoto.
Além disso, os produtos biológicos aparecem entre as tecnologias utilizadas pelos produtores. Mais da metade dos agricultores de culturas especiais pesquisados usa pelo menos um produto desse tipo. Entre produtores de culturas anuais, 36% utilizam biocontroles e 43% usam bioestimulantes.
Nesse cenário, o custo e o resultado esperado pesam na decisão de adotar ou manter essas tecnologias.
Inteligência artificial ganha espaço
A inteligência artificial generativa também já faz parte da rotina de parte dos agricultores. Segundo a pesquisa, 17% utilizam essas ferramentas em atividades relacionadas à fazenda.
Os produtores recorrem à tecnologia em tarefas como pesquisa e planejamento. Entretanto, o estudo aponta limitações quando as ferramentas não consideram as características específicas de cada propriedade.
Por isso, fatores como solo, clima, cultura e sistema de produção continuam relevantes para as decisões no campo.
Agrônomos seguem influentes
Enquanto isso, os canais digitais ganharam espaço na pesquisa por produtos. 31% dos agricultores usam esses canais para pesquisar, enquanto 36% recorrem a eles para avaliar e comparar alternativas, índice que cresceu 14 pontos desde 2024.
Mesmo com esse avanço, os agrônomos continuam influenciando as decisões. 56% dos entrevistados apontam esses profissionais entre as principais fontes de influência nas compras. Entre produtores com menos de 40 anos na América Latina, o índice chega a 89%.
Por outro lado, apenas 6% consideram a IA generativa ou as buscas por IA uma fonte confiável para a decisão final de compra.
O levantamento mostra, portanto, um produtor mais cauteloso com os gastos, mas que continua utilizando tecnologias e ferramentas digitais na atividade rural.