Resumo da notícia
- Produtores gaúchos esperam safra de uvas 2026 com crescimento de até 15%, totalizando cerca de 900 milhões de quilos, superando expectativas apesar do tornado em Flores da Cunha.
- A Wine South America 2026, em Bento Gonçalves, será palco para apresentação da nova safra, promovendo negócios e conexão entre produtores, compradores e especialistas do setor vitivinícola.
- Vinícolas da Serra Gaúcha relatam condições climáticas favoráveis, com uvas maduras e saudáveis, destacando uma colheita promissora mesmo frente a desafios climáticos na região dos Altos Montes.
O mês de março marca a reta final da safra das uvas no Rio Grande do Sul, e o balanço anima o setor. A produção de 2026 deve se aproximar de 900 milhões de quilos colhidos. Um crescimento de até 15% sobre a safra anterior, segundo dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). O volume supera as projeções iniciais e reforça o otimismo da vitivinicultura brasileira às vésperas da próxima edição da Wine South America (WSA), feira profissional que ocorre de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS).
A estimativa contempla uva destinada à indústria, ao consumo in natura e à elaboração de vinhos artesanais. Para muitas vinícolas, a WSA representa o primeiro grande palco para apresentar ao mercado as expectativas da nova colheita e ampliar conexões comerciais. O evento reúne produtores, compradores e especialistas da cadeia vitivinícola da América Latina.
Vinícola de Pinto Bandeira celebra condições climáticas favoráveis
Na Vinícola La Grande Bellezza, em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, os proprietários Rossano Biazus e Cristiana Petriz descrevem uma colheita excepcional. “Todas as variedades se ajustaram bem às condições climáticas, resultando em uvas sadias e com maturação precisa. Chardonnay e Pinot Noir originaram vinhos base para espumantes muito equilibrados, enquanto as uvas tintas alcançaram sua maturação em excelentes condições”, destacam.
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A vinícola planeja levar à WSA toda a sua linha de vinhos e espumantes. “É uma feira onde os vinhos nacionais se sentem à vontade, alinhados às expectativas dos compradores”, afirmam os proprietários.
Além de espaço para negociações, a WSA funciona como vitrine para tendências do setor. A realização na Serra Gaúcha, maior região produtora de vinhos e espumantes do país, favorece a prospecção comercial e oferece experiência imersiva aos compradores: representantes de redes varejistas, importadoras e distribuidoras podem visitar vinícolas da região e conhecer de perto os processos produtivos.
Safra 2026 supera desafios climáticos na Serra Gaúcha
Enfrentar adversidades climáticas faz parte da rotina da vitivinicultura, e a vindima 2026 não fugiu à regra. Em regiões como Flores da Cunha e Nova Pádua, onde fica a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes, as vinícolas avaliam a safra como promissora, com boas condições de maturação.
O enólogo André Tonet, presidente da Altos Montes, aponta o ciclo climático como diferencial. “Tivemos um inverno rigoroso e uma primavera com chuvas dentro da normalidade, o que favoreceu a brotação. O início de 2026 registrou precipitações abaixo da média, permitindo maturação plena das uvas. Vislumbramos uma safra de grande destaque, semelhante à de 2020”, afirma.
O caminho até a colheita, porém, exigiu resiliência. Em dezembro de 2025, um tornado atingiu o interior de Flores da Cunha, na localidade Travessão Alfredo Chaves, danificando vinhedos e estruturas produtivas. A Vinícola Terrasul Vinhos Finos perdeu tanques de armazenagem e parte das instalações. A resposta da comunidade foi rápida: produtores da região, viticultores de outras cidades da Serra e o Exército organizaram mutirões para reconstruir as estruturas e retomar as atividades.
“Mesmo com todos esses desafios, acreditamos que a qualidade da safra 2026 foi muito boa e, no geral, com produção acima da média”, afirma Augusto Salvador, enólogo e proprietário da Terrasul.
Mais de 200 vinícolas brasileiras confirmam presença na WSA 2026
A edição de 2026 da Wine South America deve reunir um número recorde de vinícolas brasileiras. Na edição anterior, em 2025, cerca de 200 marcas nacionais participaram, representando terroirs como Serra e Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Serra Catarinense, Vales da Uva Goethe, Cerrado Goiano, Vale do São Francisco, Serra da Mantiqueira e Brasília, região que estreou no evento em 2025 e já confirmou retorno.

Entre os nomes confirmados para 2026 estão Miolo, Aurora, Don Guerino, Pizzato e Nova Aliança, além de entidades como Aprobelo (Monte Belo do Sul), Afavin (Farroupilha), Aprovale (Vale dos Vinhedos) e Altos Montes (Flores da Cunha). O evento destaca também regiões com certificação de origem, como as Denominações de Origem Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira, e Indicações de Procedência como Altos Montes e Farroupilha. Um sinal do avanço qualitativo da vitivinicultura nacional rumo ao padrão internacional.
Wine South America recebe novos países e amplia alcance internacional
A WSA consolida sua posição como plataforma internacional de negócios. Na edição de 2026, rótulos de mais de 20 países estarão presentes. Incluindo as estreias de Nova Zelândia e Alemanha e o retorno da África do Sul. Itália e Portugal ampliam sua participação, e Chile, Argentina e Uruguai mantêm presença expressiva.
Ao todo, mais de 400 marcas nacionais e internacionais ocuparão o mesmo espaço durante os três dias de feira, conectando produtores, importadores, distribuidores e compradores de diferentes mercados. A diversidade de origens e estilos consolida a Wine South America como um dos principais pontos de encontro do setor vitivinícola na América Latina.








