Umidade, regulagem de máquinas e logística definem o resultado da safra
Os preços do milho subiram nas principais regiões monitoradas pelo Cepea nos últimos dias. A saca de 60 kg atingiu R$ 60,12.
Foto: Divulgação

A reta final da safra de milho demanda decisões rápidas e precisas no campo. Produtores que ajustam o momento da colheita, monitoram a umidade dos grãos e organizam a logística conseguem reduzir perdas e preservar a qualidade da produção.

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Em um cenário de janelas climáticas mais curtas e instáveis, a colheita deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a exigir gestão estratégica. O alinhamento entre condições da lavoura, capacidade das máquinas e escoamento da produção impacta diretamente a rentabilidade.

Segundo Diego Braga, consultor de Desenvolvimento de Mercado da Conceito Agrícola, cada decisão tomada durante a colheita influencia o resultado final da safra. “O produtor precisa integrar operação e logística para garantir que o potencial produtivo se converta em grãos colhidos com qualidade”, afirma.

Umidade do grão define o momento ideal

A identificação do ponto certo de colheita começa no campo. Sinais como a formação da “linha preta”, o amarelecimento das folhas e a firmeza dos grãos indicam maturidade fisiológica. No entanto, a decisão depende da umidade.

trator na plantação de milho
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A faixa ideal varia entre 13% e 15%, pois equilibra rendimento operacional e qualidade. Quando o milho apresenta umidade acima de 18%, aumentam os danos mecânicos e os custos com secagem. Já abaixo de 12%, os grãos ficam mais quebradiços, elevando perdas e reduzindo o peso comercial.

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O monitoramento deve ocorrer por talhão, com uso de medidores calibrados. Diferenças de solo, relevo e clima afetam o ritmo de secagem, o que exige escalonamento da colheita em áreas desuniformes.

Regulagem das máquinas impacta produtividade

A regulagem correta das colhedoras reduz perdas e melhora a eficiência. O produtor deve revisar a plataforma, ajustar chapas e adequar o sistema interno conforme as condições do grão.

A velocidade também influencia o desempenho. O ideal fica entre 4 e 6 km/h. Acima disso, a máquina perde eficiência na separação e limpeza, aumentando o desperdício.

O acompanhamento constante no campo permite identificar perdas após a passagem da colhedora. O objetivo é manter o desperdício abaixo de meia saca por hectare.

Logística define qualidade final

A logística pós-colheita influencia diretamente o resultado. Atrasos no transporte e no descarregamento comprometem a qualidade, principalmente em grãos mais úmidos.

“Não adianta colher bem e perder qualidade no transporte. O tempo de espera pode gerar descontos na entrega”, alerta Braga.

Planejamento logístico e fluxo contínuo evitam gargalos e garantem melhor aproveitamento da produção.

Prevenção de incêndios deve ser prioridade

A colheita do milho coincide com períodos de baixa umidade do ar e alta presença de palhada seca, o que aumenta o risco de incêndios.

Entre os principais fatores estão acúmulo de resíduos nas máquinas, superaquecimento de peças, falhas elétricas e falta de manutenção.

Para reduzir riscos, o produtor deve:

  • Limpar as máquinas a cada turno
  • Manter extintores revisados
  • Disponibilizar caminhão-pipa ou trator com água
  • Construir aceiros ao redor dos talhões

Essas ações ajudam a conter focos e proteger áreas produtivas.

Manejo na colheita impacta a próxima safra

A forma como o milho é colhido interfere no ciclo seguinte. A distribuição uniforme da palhada favorece o plantio direto, conserva a umidade do solo e facilita a implantação da soja.

Além disso, o controle de perdas e a eliminação do milho voluntário reduzem a pressão de pragas, como a cigarrinha, e preservam o potencial produtivo das próximas lavouras.