Resumo da notícia
- Poucos brasileiros conhecem a feijoa, fruta típica do Sul do país, com sabor único que mistura notas de abacaxi, goiaba e banana, consumida principalmente em regiões de altitude acima de 800 metros.
- A feijoa possui alto valor nutricional, com compostos antioxidantes, vitaminas e minerais, que auxiliam na imunidade, controle da glicemia e saúde intestinal, segundo estudos da Embrapa e universidades.
- Além da polpa, suas flores são comestíveis e usadas em saladas, e a fruta pode ser consumida fresca ou em geleias e sorbets, mas ainda é pouco explorada comercialmente no Brasil, ao contrário da Nova Zelândia.
Poucos brasileiros conhecem a feijoa, uma pequena fruta de casca verde que nasce nas regiões de altitude do Sul do país, associada às florestas de Araucária. O nome popular varia entre goiaba-da-serra, goiaba-do-mato e goiaba-serrana, mas a denominação científica, Acca sellowiana, homenageia o naturalista alemão Friedrich Sellow, que explorou a flora sul-americana no século XIX.

A fruta pertence à família Myrtaceae, a mesma da goiabeira e da jabuticabeira. E ocorre naturalmente em áreas acima de 800 metros de altitude no Sul do Brasil, além de regiões do Uruguai, da Argentina e do Paraguai. Fora do continente, encontrou um segundo lar: produtores da Nova Zelândia adotaram a espécie e a apelidaram de “pineapple guava” (goiaba-abacaxi), consolidando-a como item de consumo cotidiano por lá, enquanto no Brasil ela segue como uma relíquia regional.
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Um sabor que lembra um festival tropical
Visualmente, a feijoa lembra uma pequena goiaba ovalada ou um abacate em miniatura, e mantém a casca verde mesmo quando está madura. O interior guarda a maior surpresa: uma polpa translúcida, gelatinosa e levemente granulada, que concentra um perfil sensorial raro.
O sabor equilibra doçura e uma acidez refrescante, com notas que remetem a abacaxi, goiaba, morango e banana, finalizadas por um sutil toque floral e mentolado. A textura também surpreende, já que a fruta apresenta duas camadas distintas: o centro, macio e suculento, e a parte próxima à casca, com uma granulagem suave que lembra a de uma pera madura.
O consumo segue a lógica de um kiwi: basta cortar a fruta ao meio, na horizontal, e retirar a polpa com uma colher pequena. As flores da planta também entram no cardápio. Pétalas espessas, esbranquiçadas e rosadas, com estames vermelhos, que trazem crocância adocicada e um visual marcante quando usadas em saladas. Já a polpa rende compotas, geleias artesanais e sorbets.
Ciência aponta benefícios além do sabor
A Embrapa Clima Temperado e universidades brasileiras e estrangeiras vêm ampliando as pesquisas sobre o potencial funcional da feijoa. Estudos em periódicos de química de alimentos identificam na fruta uma concentração relevante de compostos fenólicos, como flavonoides e catequinas, e de vitamina C, elementos que combatem radicais livres e reforçam o sistema imunológico.
A composição nutricional também inclui vitaminas do complexo B, vitamina E e K. Além de minerais como cálcio, fósforo, magnésio e potássio, presentes tanto na polpa quanto na casca. Pesquisas recentes associam ainda a fruta a propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. E com potencial de auxílio no controle da resposta inflamatória e da glicemia, graças ao baixo índice glicêmico.
As fibras solúveis e insolúveis completam o quadro funcional da feijoa: elas favorecem a regulação do trânsito intestinal e contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal.
Onde encontrar e como cultivar
A safra da feijoa é curta, geralmente entre fevereiro e maio. Além disso, a fruta perde qualidade rapidamente após a colheita, o que explica sua ausência nas prateleiras dos grandes supermercados do Sudeste e do Nordeste. Depois de madura, ela se conserva bem por poucos dias fora da geladeira, e o ideal é refrigerá-la para prolongar o frescor.
Feiras livres e feiras agroecológicas do Sul concentram a maior oferta, especialmente nas regiões serranas de Santa Catarina (Lages, São Joaquim e Pomerode), na Serra Gaúcha e em áreas do Paraná. Em São Paulo, a fruta aparece em lojas especializadas em Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). E também em bancas de pequenos produtores orgânicos, tanto na capital quanto no interior.
O interesse crescente por frutíferas nativas também impulsionou a venda de mudas. Assim, viveiros espalhados pelo país já comercializam exemplares de Acca sellowiana para cultivo doméstico, em quintais ou vasos grandes. A planta se adapta bem a climas subtropicais e temperados, prefere solos férteis e bem drenados e precisa de um período de frio para frutificar. Por isso tende a se dar melhor em regiões de altitude ou com invernos mais frios.








