Resumo da notícia
- O acordo comercial Brasil-União Europeia visa consolidar a presença brasileira no maior mercado consumidor do mundo, com foco em previsibilidade, redução tarifária e estabilidade comercial.
- Cumprir normas ambientais, de rastreabilidade e bem-estar animal é chave para fortalecer a reputação do agronegócio brasileiro, usando dados concretos para sustentar a sustentabilidade.
- O Brasil destaca potencial para recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, ampliando produção sem desmatamento, enquanto busca diálogo técnico para ratificação do acordo na Europa.
A reputação do agronegócio brasileiro e a estratégia de comunicação internacional dominaram o debate sobre o acordo comercial entre Brasil e União Europeia, tema central do encontro ABMRA Ideia Café. O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) em 27 de fevereiro. O evento reuniu autoridades e especialistas para discutir como o país pode usar dados e sustentabilidade para fortalecer sua imagem em um dos mercados mais exigentes do mundo.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luis Rua, destacou que o bloco europeu reúne mais de 450 milhões de consumidores, soma um PIB de cerca de US$ 20 trilhões e responde por 14% das importações globais de produtos agropecuários. Segundo ele, consolidar a presença brasileira nesse mercado é fundamental tanto pelo volume de negócios quanto pela influência da União Europeia nas normas internacionais de comércio.
“A União Europeia é um mercado extremamente relevante, não só pelo tamanho, mas pelo poder aquisitivo e pelo grau de exigência regulatória”, afirmou Rua. Ele também ressaltou que o acordo dá mais previsibilidade, reduz tarifas de forma gradual e fortalece a inserção do Brasil em um ambiente comercial mais estável e transparente.
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O secretário reforçou que o tratado não modifica os padrões sanitários já praticados pelo país. “Exportamos para a União Europeia há mais de 40 anos cumprindo todas as exigências”, lembrou.
Reputação do agro
Além dos aspectos comerciais, o debate mostrou que o cumprimento de regras ambientais, de rastreabilidade e bem-estar animal pode se transformar em ativo de reputação para o Brasil. “A imagem se constrói com dados concretos, não com apresentações”, afirmou Rua. Ele defendeu que o país deve mostrar resultados, corrigir percepções equivocadas e sustentar o discurso de sustentabilidade com números verificáveis.

Entre os dados apresentados, destacou-se o potencial brasileiro de recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, uma área superior ao território da Alemanha. O número reforça que o país pode expandir sua produção agrícola sem abrir novas áreas, combinando eficiência e sustentabilidade.
Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o acordo amplia a vitrine internacional do agro brasileir. E aumenta a responsabilidade do setor com sua imagem global. “O Brasil precisa liderar a construção da sua reputação no exterior. Temos escala, tecnologia e resultados. Agora, precisamos transformar isso em uma narrativa estratégica”, afirmou.
Os participantes do encontro ainda destacaram que o processo de ratificação do acordo Brasil-União Europeia depende de aprovação política nos países europeus. O que exige do Brasil diálogo técnico contínuo e cooperação institucional com o bloco.









