Trepadeira exótica resiste a cortes, produz látex tóxico e forma barreiras que isolam comunidades de rios
unha do diabo
Foto: Scamperdale/Flickr

O Ibama e a Associação Caatinga reuniram, em maio, representantes de instituições federais, estaduais e municipais, pesquisadores, setor produtivo e comunidades afetadas para discutir estratégias de controle da unha-do-diabo (Cryptostegia madagascariensis Bojer ex Decne), espécie exótica invasora que avança pelo Nordeste e ameaça a cadeia produtiva da carnaúba.

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Servidor do Ibama durante encontro técnico para discutir manejo da espécie unha-do-diabo. Foto: Seflo/Ibama

O encontro técnico ocorreu em Fortaleza (CE) e colocou em pauta a proposta do Plano Nacional de Prevenção, Monitoramento e Manejo da espécie. Contou com apoio da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e do Sindicato das Indústrias Refinadoras de Cera de Carnaúba no Ceará (Sindcarnaúba).

O que é a unha-do-diabo

Originária de Madagascar, a trepadeira tem alta capacidade de dispersão e se alastra principalmente nas margens de rios e açudes, onde forma densos maciços vegetais que bloqueiam o acesso de pessoas e animais à água. Embora sua ocorrência apareça com frequência associada à palmeira carnaúba, a planta não se limita a esse ambiente.

A espécie apresenta dois atributos que tornam seu controle especialmente difícil. Ela regenera-se com vigor mesmo após cortes e produz um látex tóxico, o que representa risco para quem realiza o manejo manual. Seus danos vão além do campo ambiental, e afetam diretamente a economia regional, sobretudo a produção de cera de carnaúba, matéria-prima de alto valor exportado pelo Brasil para mercados como cosméticos, alimentos e indústria automotiva.

Fungo australiano como alternativa

Entre as alternativas de controle discutidas na reunião, o uso do fungo Maravalia cryptostegiae ganhou destaque. O agente biológico já foi utilizado na Austrália para controlar espécies do mesmo gênero botânico, com resultados positivos relevantes.

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Os especialistas apontaram a necessidade de avançar nos processos regulatórios para viabilizar a pesquisa, a importação e o eventual uso do fungo no Brasil. O grupo também levantou a possibilidade de declaração de emergência fitossanitária ou ambiental. Um instrumento que pode acelerar os trâmites legais e administrativos para enfrentar a invasão.

Atividades de campo

Nos dias seguintes ao encontro, equipes realizaram visitas a fazendas-modelo, áreas invadidas e comunidades afetadas no interior do Ceará. As atividades incluíram a coleta de relatos, a observação direta da invasão biológica, a discussão de diferentes métodos de manejo e a articulação entre atores locais ligados ao meio ambiente e à produção.

A mobilização em torno da unha-do-diabo reflete a urgência do problema: sem controle efetivo, a espécie pode comprometer tanto os ecossistemas da Caatinga quanto a viabilidade econômica das comunidades que dependem da carnaúba.