Quando o gelo começa a derreter nas regiões montanhosas da Califórnia, os sapos deixam a hibernação e seguem rapidamente para lagos e lagoas temporárias. Lá, os machos iniciam um verdadeiro coro para atrair as fêmeas antes que a água congele novamente.
Mas os cientistas descobriram que esses sons servem para muito mais do que conquistar parceiras. Segundo um estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, a velocidade e a frequência do coaxar mudam conforme a temperatura da água. Em ambientes frios, os sons ficam lentos e espaçados. Já em águas mais quentes, os cantos se tornam rápidos e intensos.
A ecologista Julianne Pekny explica que os anfíbios vivem em uma corrida contra o tempo. Em algumas áreas, os lagos formados pelo derretimento da neve permanecem descongelados por poucos meses, o que reduz drasticamente o período de reprodução.
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Coaxares funcionam como uma espécie de “previsão do tempo”
Os pesquisadores acreditam que as fêmeas conseguem interpretar essas mudanças sonoras para escolher os melhores locais para colocar os ovos. Assim, os coaxares funcionariam como um “alerta climático” natural.
Até então, os cientistas acreditavam que os cantos serviam apenas para demonstrar força e atratividade dos machos. Sapos maiores, por exemplo, costumam emitir sons mais graves e chamativos. Agora, o novo estudo sugere que os coaxares também carregam informações sobre o ambiente.
A teoria surgiu durante pesquisas de campo no norte da Califórnia. Pekny percebeu diferenças claras nos coros dos sapos ao longo das estações e decidiu investigar o comportamento em laboratório. Ela analisou 35 sapos em aquários com diferentes temperaturas da água e registrou a frequência dos sons emitidos.
Os testes mostraram que a água fria desacelera os coaxares, enquanto temperaturas mais altas deixam os sons mais rápidos. Essa informação pode ajudar as fêmeas a evitar locais inadequados para reprodução.
Mudanças climáticas podem afetar reprodução dos anfíbios
Especialistas afirmam que a descoberta ajuda a entender como os anfíbios reagem às mudanças climáticas. Embora pesquisadores ainda precisem realizar novos testes, o estudo reforça a relação entre comportamento animal e ambiente.
Os cientistas alertam que alterações no clima podem desregular o período de reprodução dos sapos e rãs. Caso os animais se reproduzam cedo demais, os girinos podem nascer antes do momento ideal, quando ainda há pouca oferta de alimento.
Hoje, os anfíbios estão entre os grupos mais ameaçados do planeta. Cerca de 41% das espécies enfrentam risco de extinção, o que aumenta a importância de pesquisas sobre adaptação climática e preservação dos habitats.









