Resumo da notícia
- A moagem de cana no Norte e Nordeste caiu 9,4% na safra 2025/26, totalizando 32,5 milhões de toneladas, impactando a produção de açúcar, que recuou 24% para 1,66 milhão de toneladas.
- Apesar da retração na moagem e no etanol hidratado, a produção de etanol anidro cresceu 5,1% no Nordeste, refletindo uma mudança no foco para biocombustíveis na matriz energética.
- Os estoques de etanol nas regiões caíram 28,9%, e a qualidade da cana, medida pelo ATR, teve queda geral, especialmente no Nordeste, exigindo monitoramento cuidadoso para os resultados finais da safra.
A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste somou 32,5 milhões de toneladas até 30 de novembro da safra 2025/26, registrando uma queda de 9,4% em relação ao mesmo período da temporada anterior (35,9 milhões de toneladas). O levantamento foi feito pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) com base em dados do Ministério da Agricultura (MAPA).
Segundo o presidente da NovaBio, Renato Cunha, os números refletem uma safra mais curta e desafiadora, especialmente no Nordeste. “Apesar da retração na moagem e no açúcar, o setor mostra resiliência com o crescimento do etanol anidro, essencial para a matriz energética e as metas de descarbonização”, afirmou.
Desempenho regional
Na Região Norte, a moagem caiu 10,9%, passando de 7,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas. No Nordeste, o recuo foi de 9,1%, totalizando 26,1 milhões de toneladas. A menor disponibilidade de cana impactou diretamente a produção de açúcar, que despencou 24%, para 1,66 milhão de toneladas.
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A produção total de etanol nas duas regiões atingiu 1,38 milhão de m³, queda de 7,8% frente à safra passada. O etanol hidratado foi o mais afetado, com retração de 11,3%, enquanto o etanol anidro manteve estabilidade, com leve recuo de 2,0% no consolidado regional e crescimento de 5,1% no Nordeste. O resultado evidencia uma mudança no perfil produtivo, com foco crescente no biocombustível misturado à gasolina.
O Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana, acompanhou a tendência de queda. O ATR médio por tonelada de cana caiu 6,5% no consolidado das regiões, pressionado principalmente pelo Nordeste (-9,6%). Já o Norte apresentou melhora de 6,1% no indicador.
Progresso da safra e estoques
Até o fim de novembro, o setor atingiu 55% da moagem estimada para a safra 2025/26. O Norte teve avanço mais expressivo (88,3% da meta), enquanto o Nordeste alcançou 50,4%. Na produção total de etanol, a execução chegou a 54,5%, com destaque para o Norte, que já atingiu 96,4% da estimativa.
Os estoques de etanol também recuaram significativamente. Até 30 de novembro, o volume total armazenado nas regiões Norte e Nordeste somou 326,2 mil m³, uma queda de 28,9% ante os 458,7 mil m³ do mesmo período em 2024. O estoque de etanol anidro caiu 25,4%, enquanto o hidratado registrou redução de 31,5%.
A NovaBio alerta que a continuidade da safra depende de fatores climáticos e operacionais que ainda podem influenciar os resultados. “O monitoramento deve ser cauteloso, especialmente diante das oscilações de mercado e das condições de campo na reta final da safra”, conclui Renato Cunha.