Resumo da notícia
- Exportações brasileiras de café solúvel cresceram 13,9% em fevereiro de 2026, com receita de US$ 90,3 milhões, apesar das tarifas dos EUA, que devem reduzir de 50% para 10% em março.
- No acumulado do primeiro bimestre, houve queda de 11,5% nas exportações e receita, mas expectativa de recuperação com a redução tarifária e acordo Mercosul-União Europeia.
- Consumo interno de café solúvel cresceu 15,1% no início de 2026, impulsionado por investimentos em qualidade, inovação e novos produtos, fortalecendo a preferência do consumidor brasileiro.
As exportações brasileiras de café solúvel atingiram 7,4 mil toneladas em fevereiro de 2026, registrando avanço de 13,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O volume corresponde a 321,1 mil sacas de 60 kg, com receita cambial de US$ 90,3 milhões, alta de 10,8% frente a fevereiro de 2025.
De acordo com o diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima, esse foi o melhor resultado para o mês de fevereiro nos últimos cinco anos. “O desempenho surpreende diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que ainda impactam parte dos embarques. Mesmo assim, observamos aumento das aquisições norte-americanas, o que reforça a demanda pelo café brasileiro”, afirmou.
Desempenho no ano ainda é negativo
Apesar da recuperação mensal, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 somou 13,2 mil toneladas (573,7 mil sacas), queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também recuou, totalizando US$ 161,1 milhões no comparativo anual.
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Lima avalia, porém, que a redução das tarifas de 50% para 10% sobre o produto brasileiro, válida a partir de março, pode estimular a retomada dos embarques nos próximos meses. “Essa mudança tende a amenizar as perdas e fortalecer o ritmo de exportações para os EUA ao longo do ano”, destacou.
União Europeia e mercados prioritários
A Abics também espera avanços com a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, que deve reduzir gradualmente a tarifa de 9% incidente sobre o café solúvel exportado ao bloco europeu. “A Europa é nosso segundo principal destino. O acordo trará novos espaços para crescimento”, comentou Lima.
No ranking dos principais importadores, os Estados Unidos permanecem líderes, com 1,8 mil toneladas (76,8 mil sacas) compradas no primeiro bimestre. Uma queda de 2,5% ante 2025. Rússia e Argentina completam as primeiras posições, com 1,16 mil toneladas (+18,5%) e 1,09 mil toneladas (−2,6%), respectivamente.
No mercado doméstico, o consumo de café solúvel no Brasil continua em expansão. Entre janeiro e fevereiro, o volume cresceu 15,1%, alcançando 4,1 mil toneladas (179,7 mil sacas). Segundo Lima, o avanço reflete investimentos da indústria em qualidade e inovação. “As empresas vêm apostando em novos produtos e embalagens, o que tem fortalecido a preferência do consumidor brasileiro”, disse.


