Produção artesanal em pequenas áreas de MG, SP, PR e SC usa trabalho manual do plantio à costura; cada vassoura leva de 250 a 400 hastes de sorgo
Imagem de Yolanda Coervers por Pixabay

Pequenos agricultores, cooperativas e artesãos mantêm as tradicionais vassouras caipiras no mercado brasileiro. Eles produzem o utensílio a partir de um tipo específico de sorgo, principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

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Essa atividade preserva um saber transmitido entre gerações e, ao mesmo tempo, oferece renda complementar a propriedades rurais. Assim, sustenta uma cadeia que começa no plantio do sorgo-vassoura.

Matéria-prima específica

Os produtores não usam a mesma planta do sorgo para grãos ou alimentação animal. Eles cultivam o sorgo-vassoura (Sorghum bicolor var. technicum), uma variedade desenvolvida para produzir longas panículas (inflorescências), de 40 a 70 centímetros. Essas fibras naturais, as “palhas”, viram as cerdas da vassoura.

A Embrapa informa que o cultivo tem ciclo de 110 a 140 dias, tolera bem a seca, exige menos água que o milho, adapta-se a diferentes solos e apresenta custo de produção relativamente baixo.

Agricultura familiar e regiões produtoras

O Brasil não possui estatísticas oficiais sobre a área com sorgo-vassoura, já que a cultura representa pequena parcela da produção nacional de sorgo. Mesmo assim, centenas de pequenos produtores mantêm o cultivo para abastecer fabricantes artesanais, afirma o engenheiro agrônomo Felipe Santos, consultor em Altinópolis (MG).

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“De maneira geral, o plantio do sorgo-vassoura acontece em propriedades de agricultura familiar, em pequenas áreas, de até cinco hectares”, conta. Além do sul de Minas, produtores cultivam a variedade no interior de São Paulo (Itapetininga, Avaré, Botucatu), no norte do Paraná e no oeste de Santa Catarina.

Trabalho manual do plantio à vassoura pronta

Os agricultores colhem o sorgo-vassoura quase totalmente à mão, diferentemente do sorgo granífero, que as máquinas colhem. “Nós cortamos as panículas manualmente, separamos por tamanho, secamos ao sol e armazenamos em galpões ventilados para preservar a qualidade das fibras”, explica Santos.

“Depois da secagem, iniciamos outra etapa delicada: limpamos as sementes, penteamos as fibras e classificamos conforme o comprimento e a resistência. Somente então o material segue para a fabricação das vassouras”, complementa.

Produção familiar agrega valor

José Alcindo Guimarães, produtor em Altinópolis (MG), acredita que a fabricação artesanal confere qualidade diferenciada. “Aqui em nosso sítio, eu e meu irmão aprendemos a tarefa [com] meu pai. Minha esposa e sobrinhos também aprenderam conosco, e hoje temos uma produção familiar, que agrega aos demais cultivos que temos”, conta.

“Nós selecionamos as melhores fibras, e isso fazemos com nossos olhos treinados. Depois, alinhamos as hastes, fixamos os cabos e costuramos, com acabamento manual”, diz. Uma única vassoura reúne entre 250 e 400 hastes de sorgo.

Nicho fiel mesmo com concorrência

Os consumidores fiéis mantêm a vassoura de sorgo no mercado, mesmo com produtos industrializados e sintéticos. José destaca, entre as vantagens, a durabilidade, o uso de matéria-prima renovável e biodegradável e a eficiência para varrer folhas, areia e terra.

“Além das residências, nós vendemos para haras, sítios, propriedades rurais, galpões agrícolas e áreas externas”, diz o produtor.