Experiência de agricultora cearense foi compartilhada na Argentina, enquanto pesquisas avaliam como esses sistemas ajudam a conservar água, solo e carbono
floresta e agricultura
Foto: Divulgação

Sistemas agroflorestais no Semiárido combinam árvores, cultivos e criação de animais. Esse modelo pode ajudar a conservar a água, proteger o solo e aumentar o estoque de carbono. Pesquisas da Embrapa identificaram aumento do carbono no solo em áreas manejadas dessa forma, em comparação com sistemas tradicionais de corte e queima.

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Segundo o zootecnista da Embrapa Caprinos e Ovinos Francisco Eden Paiva Fernandes, as pesquisas apontam aumento do estoque de carbono no solo em áreas com sistemas agroflorestais. Os estudos também compararam os resultados com a vegetação nativa e com sistemas tradicionais de corte e queima.

Cobertura vegetal ajuda a conservar água

No Semiárido, a água é um dos principais desafios para a produção rural. Por isso, a cobertura vegetal ajuda a proteger o solo e reduzir a perda de umidade.

As folhas que caem das árvores formam uma camada sobre a superfície. Dessa forma, diminuem a exposição ao sol e ajudam a reduzir a evaporação.

Além disso, as árvores permitem integrar cultivos e criação de animais na mesma área. Assim, as famílias podem diversificar a produção e manter a vegetação no espaço produtivo.

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Agrofloresta aumenta o estoque de carbono

O sistema armazena carbono no solo, nas raízes, nos troncos e nas folhas. No entanto, a quantidade varia conforme as espécies utilizadas e o manejo adotado.

Por esse motivo, pesquisadores avaliam diferentes combinações de árvores, culturas e animais. Com isso, buscam entender os efeitos dessas práticas sobre o solo e a produção.

Além do armazenamento de carbono, a diversificação pode ampliar as possibilidades de produção das famílias rurais. No Semiárido, essa característica ganha importância diante das limitações de água e das condições climáticas da região.

Experiência do Ceará chega à Argentina

O conhecimento das famílias que trabalham com agrofloresta também ganhou espaço fora do Brasil. A agricultora familiar Silviane da Silva Coelho apresentou em Buenos Aires, na Argentina, experiências desenvolvidas por uma família do Semiárido.

Segundo Silviane, participantes do Chile, Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul conheceram práticas utilizadas pelas famílias para produzir em uma região marcada pelo calor e pela escassez de água. A agricultora relatou que o grupo demonstrou interesse principalmente na forma como as famílias utilizam o sistema para produzir e alimentar os animais.

A troca aproxima o conhecimento das comunidades rurais da pesquisa científica. Ao mesmo tempo, mostra como práticas desenvolvidas no Semiárido podem contribuir para formas de produção adaptadas às condições da Caatinga.