Resumo da notícia
- O gorgulho aquático do arroz ataca as raízes durante a emergência e início do perfilhamento, causando falhas no estande e redução do potencial produtivo da lavoura.
- As larvas se alimentam das raízes, dificultando a identificação da praga, pois os sintomas são internos, como plantas com menor vigor e raízes danificadas.
- O manejo eficiente inclui monitoramento das raízes, controle da irrigação, rotação de culturas e, quando necessário, uso de controle químico com orientação técnica.
O gorgulho aquático do arroz (Oryzophagus oryzae) ataca as raízes do arroz irrigado e pode comprometer o estabelecimento da lavoura. As larvas, conhecidas como bicheira-da-raiz, reduzem o sistema radicular e podem provocar falhas no estande e perda de potencial produtivo.
A praga merece atenção principalmente durante a emergência e o início do perfilhamento. Nesse período, a redução da população de plantas pode afetar o desenvolvimento da lavoura.
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Ataque acontece nas raízes
O gorgulho aquático pertence à família Curculionidae e está adaptado a ambientes alagados. Os adultos permanecem associados à lâmina d’água e se alimentam da parte aérea do arroz.
Depois da postura, as larvas migram para as raízes e provocam os principais danos. Elas não possuem pernas, apresentam corpo branco-creme e cabeça mais escura.
Segundo a Embrapa, as perdas de produtividade variam conforme a intensidade do ataque e as condições da lavoura. Portanto, não existe um percentual único de redução para todas as áreas.
Sintomas podem passar despercebidos
Como o ataque ocorre abaixo da superfície, a infestação pode passar despercebida no início. Falhas no estande, crescimento desuniforme, plantas mais claras e menor vigor estão entre os sinais possíveis.
As raízes também podem aparecer menores, pouco ramificadas ou parcialmente consumidas. Em ataques intensos, o dano pode formar áreas com maior concentração de falhas.
Por isso, observar apenas a parte aérea não basta para confirmar a presença da praga.
Monitoramento ajuda a identificar a praga
A inspeção das raízes ajuda a diferenciar o gorgulho de outros problemas. Para isso, o produtor pode retirar cuidadosamente plantas suspeitas e preservar parte do solo junto às raízes.
Depois, a lavagem cuidadosa facilita a visualização das larvas. O monitoramento deve incluir diferentes pontos do talhão, principalmente áreas com histórico da praga.
Além disso, registrar a data, o local e a intensidade da ocorrência permite acompanhar a evolução do problema e orientar as decisões de manejo.
Manejo começa no estabelecimento
O controle deve combinar monitoramento, manejo da água, rotação de culturas e cuidados com restos culturais.
O manejo da irrigação merece atenção porque o inseto está associado a ambientes inundados. Assim, ajustes no momento da inundação podem reduzir condições favoráveis à praga em determinados sistemas.
Entretanto, qualquer alteração precisa considerar as necessidades do arroz. O nivelamento da área também ajuda a distribuir a água de maneira mais uniforme.
Quando o sistema produtivo permitir, a rotação de culturas pode contribuir para interromper o ciclo da praga. A decisão deve considerar as condições agronômicas e econômicas da propriedade.
Controle químico exige orientação técnica
O controle químico pode complementar as demais medidas quando houver necessidade. Nesse caso, o produtor deve utilizar somente produtos registrados para o arroz e para a praga.
Além disso, a aplicação deve seguir o rótulo, a bula e a legislação vigente. A recomendação deve ser feita por profissional habilitado.
Produtos sem registro, assim como doses ou misturas fora das recomendações, não devem ser utilizados.
Monitoramento deve começar cedo
O gorgulho do arroz exige atenção desde o estabelecimento da cultura. Por isso, o produtor deve acompanhar a lavoura desde a emergência e investigar falhas sem causa aparente.
A inspeção das raízes permite identificar as larvas antes que os danos avancem. Assim, o produtor e o responsável técnico conseguem ajustar o manejo de acordo com a situação do talhão.
A combinação entre monitoramento, manejo da água, rotação de culturas e práticas culturais ajuda a reduzir os riscos associados à praga. Quando necessário, o controle fitossanitário deve complementar essas medidas e seguir as recomendações técnicas.