Aquisição da brasileira Sibium pela xFarm revela como satélites, sensores, dados climáticos e inteligência artificial estão entrando na gestão das lavouras
Tecnologia de agricultura digital monitora lavouras com satélites, sensores e inteligência artificial
Foto: Embrapa - Zineb Benchekchou

O avanço da agricultura digital ganhou escala de milhões de hectares no Brasil. A xFarm Technologies incorporou a brasileira Sibium Analytics, especializada em inteligência geoespacial, rastreabilidade e gestão ESG, cujas soluções monitoram aproximadamente 8 milhões de hectares.

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O valor da operação não foi divulgado. Entretanto, além da movimentação empresarial, o negócio ajuda a mostrar como uma transformação tecnológica está acontecendo dentro das fazendas e usinas.

Satélites, sensores instalados no campo, estações meteorológicas e inteligência artificial passaram a produzir e interpretar informações que antes dependiam principalmente da observação presencial.

Mas o que essas tecnologias realmente conseguem enxergar?

Agricultura digital começa pelo dado

Agricultura digital usa imagens de satélite e dados para monitorar grandes áreas agrícolas no Brasil.
Foto: Embrapa – Neide Makiko Furukawa

A agricultura digital funciona a partir da coleta e do cruzamento de diferentes informações.

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Imagens de satélite, por exemplo, permitem acompanhar grandes áreas ao longo do desenvolvimento das culturas. A comparação dessas imagens ajuda a identificar diferenças entre talhões e mudanças no comportamento da vegetação.

Já estações meteorológicas instaladas próximas às lavouras registram informações locais sobre chuva, temperatura, umidade e outras condições ambientais.

Sensores acrescentam uma terceira camada. Dependendo do equipamento e da aplicação, eles podem gerar informações sobre máquinas, operações agrícolas ou condições encontradas no campo.

O ganho ocorre quando esses dados deixam de trabalhar separadamente.

Inteligência artificial cruza informações

É nesse ponto que entram softwares e inteligência artificial.

Em vez de o gestor analisar isoladamente imagens, previsão meteorológica e informações operacionais, plataformas digitais conseguem organizar grandes volumes de dados e gerar indicadores para apoiar decisões.

Isso pode ajudar uma empresa rural a perceber que determinado talhão apresenta comportamento diferente dos demais, por exemplo.

A tecnologia não substitui a análise agronômica nem determina sozinha a causa do problema. Porém, pode indicar onde a equipe deve concentrar atenção.

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Em grandes propriedades ou grupos que administram milhares de hectares, essa diferença ganha importância.

Por que isso interessa às usinas?

A escala da cana-de-açúcar torna esse tipo de tecnologia particularmente relevante.

Usinas precisam administrar extensas áreas próprias e também acompanhar fornecedores. Ao mesmo tempo, lidam com planejamento de colheita, clima, logística e qualidade da matéria-prima.

Por isso, acompanhar cada área somente por visitas presenciais representa uma limitação operacional.

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O sensoriamento remoto permite observar grandes extensões de maneira recorrente. Quando essas informações são combinadas com dados meteorológicos e históricos da propriedade, o gestor ganha outra camada para orientar decisões.

A Sibium desenvolveu justamente soluções de inteligência geoespacial e planejamento utilizadas por empresas ligadas à cana e à bioenergia.

8 milhões de hectares monitorados

Equipe que participou da aquisição.
Foto: Divulgação – xFarm

A dimensão da operação mostra como esse mercado cresceu.

As soluções da Sibium monitoram aproximadamente 8 milhões de hectares. Agora, essa estrutura passa a fazer parte do ecossistema tecnológico da xFarm.

A companhia oferece ferramentas de Internet das Coisas (IoT), estações meteorológicas hiperlocais, sensores e sistemas de apoio à decisão.

“Nossa visão sempre foi a de apoiar agricultores e inovadores do setor agrícola com processos de tomada de decisão baseados em dados de nível mundial ao longo de toda a cadeia produtiva agrícola”, afirmou Matteo Vanotti, CEO da xFarm Technologies.

Segundo a companhia, seu ecossistema alcança mais de 600 mil propriedades e aproximadamente 24 milhões de hectares globalmente.

No Brasil, a empresa também atua em culturas como soja, milho, algodão, café, citros e uva.

Tecnologia prevê quanto o canavial vai produzir?

Ainda não existe tecnologia capaz de eliminar as incertezas do campo.

Modelos podem gerar estimativas e identificar padrões, mas produtividade continua dependendo de fatores como clima, solo, manejo, idade da lavoura, disponibilidade hídrica e ocorrência de eventos extremos.

Esse limite é importante.

O principal ganho da agricultura digital não está em prever o futuro com certeza, mas em aumentar a quantidade e a velocidade das informações disponíveis para quem precisa tomar decisões.

Ronaldo Marani, diretor da Sibium Analytics, afirma que a integração deverá ampliar o alcance dessas soluções.

“Seremos capazes de oferecer ainda mais valor aos nossos clientes e ampliar nossas soluções para novas culturas”, afirmou.

No fim, é justamente essa combinação que ajuda a explicar a nova agricultura digital: o satélite observa, os sensores coletam, os sistemas organizam e a inteligência artificial ajuda a interpretar.

A decisão continua sendo humana. O que mudou foi a quantidade de informação disponível antes de tomá-la.