El Niño, calor, estiagem e mudanças na circulação atmosférica exigem novas estratégias para reduzir o estresse das plantas
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Foto: Divulgação - IAC

O clima tem se tornado um dos principais desafios para o planejamento das lavouras brasileiras. A combinação entre períodos de estiagem, temperaturas elevadas e mudanças na distribuição das chuvas pode aumentar o estresse das plantas e comprometer o potencial produtivo de culturas como soja e milho. Entre os fenômenos que influenciam essas condições estão o El Niño e diferentes sistemas de circulação atmosférica, como os vórtices.

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O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica e pode provocar efeitos diferentes nas regiões brasileiras. Em determinados períodos, algumas áreas podem registrar menos chuva, enquanto outras enfrentam precipitações acima do normal.

Na prática, o problema para o produtor não está apenas no volume acumulado de chuva. A distribuição das precipitações ao longo do ciclo também interfere no desenvolvimento das plantas. Quando a irregularidade é acompanhada por calor intenso, a condição pode se tornar ainda mais desfavorável para as lavouras.

Variação do clima aumenta estresse das plantas

Os chamados vórtices atmosféricos também fazem parte desse cenário. Esses sistemas de circulação em grande escala podem influenciar o deslocamento e a permanência de massas de ar. Como consequência, ajudam a alterar as condições de chuva e temperatura em determinadas regiões.

Para a agricultura, mudanças rápidas nas condições ambientais representam um desafio adicional. A planta pode passar de um período de disponibilidade de água para outro de déficit hídrico, por exemplo. O calor excessivo também aumenta a demanda por água e pode intensificar os efeitos da estiagem.

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“Estamos presenciando mudanças climáticas anuais no Brasil. Ano passado, as altas temperaturas predominavam, com alguns estados sofrendo longos períodos de estiagem e o frio mais intenso, tudo isso contribui para o estresse das plantas, principalmente o hídrico, reduzindo sua produção”, explica Everton Molina Campos, engenheiro agrônomo e diretor de marketing da Agrilife Solutions.

A resposta da planta ao ambiente envolve uma série de processos fisiológicos. Em situações de déficit hídrico e calor, ocorre aumento da produção de espécies reativas de oxigênio. Em excesso, essas moléculas podem provocar danos às células e interferir em processos como fotossíntese, crescimento e desenvolvimento.

Por isso, o estresse não depende necessariamente de uma seca prolongada. A combinação entre falta de água, temperaturas elevadas e mudanças bruscas nas condições ambientais também pode afetar o desempenho da cultura.

Estratégia busca preparar a planta antes do estresse

Nesse contexto, uma das linhas de pesquisa e desenvolvimento no campo é trabalhar com mecanismos que preparem a planta para responder às adversidades antes que elas ocorram.

A Agrilife Solutions desenvolveu o VacStress, produto que a empresa descreve como uma tecnologia de ação sinalizadora voltada ao manejo de estresses abióticos. Segundo a companhia, a solução pode ser aplicada no tratamento de sementes ou no sulco de plantio em culturas como soja e milho.

A proposta é realizar uma espécie de pré-ativação dos mecanismos naturais de defesa da planta. Conforme a empresa, o produto estimula a produção de osmoprotetores e antioxidantes, moléculas envolvidas na resposta vegetal a condições ambientais adversas.

Imagem: Reprodução/ Divulgação

Entre os mecanismos citados está a produção de prolina. O composto atua como osmoprotetor e está relacionado à manutenção do equilíbrio hídrico das células, à estabilidade de proteínas e membranas e à proteção contra danos oxidativos.

A ideia, portanto, não é impedir a ocorrência de seca ou calor. O objetivo é aumentar a capacidade fisiológica da planta para enfrentar essas condições.

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“Ao ouvir agricultores de diferentes regiões do País, apresentamos o VacStress para potencializar os mecanismos naturais de defesa das plantas, fortalecendo sua resiliência fisiológica. Nosso objetivo é que o produtor esteja sempre um passo à frente de adversidades como estiagem e excesso de calor, preservando produtividade e rentabilidade mesmo em cenários desafiadores”, afirma Everton.

Testes em milho mostram diferença de produtividade

Segundo a Agrilife Solutions, testes de campo realizados pela empresa e por consultorias especializadas em milho apresentaram resultados positivos com o uso da tecnologia.

Nas áreas avaliadas, a empresa relata ganhos entre 5,4 e 8,3 sacas de milho por hectare em comparação com o tratamento de controle utilizado pelos produtores.

Os resultados, no entanto, correspondem às avaliações apresentadas pela própria empresa e devem ser considerados dentro das condições específicas dos testes realizados.

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A estratégia apresentada pela Agrilife parte da ideia de antecipar a resposta da planta, em vez de atuar somente depois que o estresse já está instalado. Segundo a companhia, a pré-ativação pode contribuir para uma resposta fisiológica mais rápida e para a recuperação após períodos de adversidade.

Clima exige planejamento além da previsão de chuva

Para o produtor, a variabilidade climática amplia a necessidade de planejamento ao longo de todo o ciclo. A previsão de chuva continua sendo uma ferramenta importante, mas o comportamento das temperaturas, a disponibilidade de água no solo e a duração dos períodos adversos também precisam entrar na tomada de decisão.

Fenômenos como o El Niño não determinam sozinhos o que ocorrerá em cada lavoura. Seus efeitos dependem da região, da época do ano e da interação com outros sistemas atmosféricos.

Nesse cenário, tecnologias voltadas à fisiologia das plantas aparecem como uma das alternativas para lidar com condições de estresse. O desafio permanece o mesmo: produzir em um ambiente no qual as condições de chuva e temperatura podem variar de forma significativa ao longo da safra.