Resumo da notícia
- Viticultores do Rio Grande do Sul têm até 6 de outubro de 2026 para se inscreverem gratuitamente em programa de boas práticas sustentáveis, que oferece orientação técnica, auditoria e certificação.
- O projeto-piloto, coordenado pelo Consevitis-RS, atenderá inicialmente 40 produtores e envolve entidades como Embrapa, IFRS e Emater/RS-Ascar para estruturar o programa.
- A certificação pode facilitar acesso a crédito rural com juros reduzidos, conforme Plano Safra 2026/27, mas depende do reconhecimento oficial pelo Ministério da Agricultura e do cumprimento das regras.
Viticultores do Rio Grande do Sul que produzem uvas destinadas ao processamento industrial têm até 6 de outubro de 2026 para se inscrever em um programa gratuito de boas práticas sustentáveis. A iniciativa oferece orientação técnica, adequação das propriedades, auditoria e certificação.
Coordenado pelo Consevitis-RS, o projeto-piloto deverá atender 40 produtores neste primeiro ciclo. Para isso, cinco entidades âncoras participam da iniciativa.
A proposta surgiu depois de um diagnóstico realizado com viticultores da Serra Gaúcha pelo Consevitis-RS, com apoio dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. A partir desse levantamento, integrantes do Grupo de Trabalho de Viticultura, entre eles Embrapa, IFRS e Emater/RS-Ascar, ajudaram a estruturar o programa.
O que o produtor precisa fazer
O programa reúne práticas voltadas à segurança dos alimentos, à saúde e segurança dos trabalhadores, à sustentabilidade ambiental, à rastreabilidade e à organização da propriedade.
Entre as medidas previstas estão o preenchimento do caderno de campo, o uso correto de produtos fitossanitários e a manutenção e regulagem dos equipamentos. O produtor também deverá adotar cuidados com água e solo, observar as regras de higiene durante a colheita e dar a destinação adequada a embalagens e resíduos.
O trabalho começa com uma consultoria de adequação. Nessa etapa, o produtor recebe orientação e identifica quais pontos da propriedade precisam de ajustes.
Na sequência, a equipe realiza uma auditoria. Os responsáveis analisam documentos, registros, entrevistas e as condições encontradas no local. Se houver alguma não conformidade, o produtor terá prazo para fazer as correções antes de passar por uma nova avaliação.
Cumpridos os requisitos, o produtor poderá receber a certificação, que terá validade de um ano.
Certificação pode ter relação com crédito rural
O programa foi estruturado em alinhamento à Portaria MAPA nº 876/2025, que estabelece requisitos para o reconhecimento de programas de promoção e certificação de boas práticas agropecuárias.
O Consevitis-RS pretende, posteriormente, buscar o reconhecimento oficial do programa junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Esse reconhecimento ainda não foi concedido.
De acordo com o Consevitis-RS, o Plano Safra 2026/27 prevê redução de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros de determinadas operações de crédito rural de custeio para produtores vinculados a programas de boas práticas reconhecidos pelo MAPA e que atendam às condições previstas.
Esse possível benefício, contudo, depende do reconhecimento oficial do programa e do cumprimento das regras aplicáveis. Portanto, a certificação concedida pelo Consevitis-RS não representa, por si só, garantia de juros menores.
Inscrições terminam em 6 de outubro
A adesão ao programa gratuito não tem custo para o produtor. A inscrição pode ocorrer por meio da chamada pública do Consevitis-RS, com participação de empresas e entidades parceiras, ou por manifestação individual de interesse.
Publicado em 22 de setembro, o edital estabelece 6 de outubro de 2026 como prazo final para as inscrições.
Com a iniciativa, o Consevitis-RS pretende ajudar os viticultores a organizar melhor as propriedades, ampliar a rastreabilidade e adotar boas práticas agrícolas. A entidade também prevê novas etapas para aumentar gradualmente o número de produtores atendidos.