Propostas também incluem crédito rural, agricultura familiar, irrigação no Semiárido e ampliação das exportações
Augusto Cury apresenta propostas para 10 mil agroindústrias, 100 usinas de etanol de milho e agricultura familiar nas eleições de 2026
Arte: Agro em Campo

Augusto Cury (Avante) propõe estimular a implantação, modernização ou expansão de 10 mil agroindústrias no país e incentivar a criação de 100 usinas de etanol de milho.

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A estratégia busca processar uma parcela maior da produção agropecuária dentro do Brasil e, ao mesmo tempo, ampliar a participação de produtos com maior valor agregado nas exportações.

As propostas fazem parte do plano de governo registrado pela candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além da agroindustrialização, o documento apresenta medidas para agricultura familiar, crédito rural, irrigação, tecnologia, infraestrutura e abertura de mercados.

Agroindústria ocupa espaço central no plano

A proposta para as 10 mil agroindústrias abrange diferentes atividades. A lista inclui cooperativas, empreendimentos familiares e regionais, fábricas de ração, frigoríficos, laticínios e unidades de processamento de milho, soja, frutas, café e cacau.

Com isso, o plano pretende aproximar o processamento das regiões produtoras e manter uma parcela maior do valor das cadeias agropecuárias no país.

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O Nordeste e o Matopiba aparecem, nesse contexto, como áreas consideradas estratégicas para a formação de polos agroindustriais.

Além da instalação de novas unidades, a meta engloba a modernização e a expansão de empreendimentos já existentes.

Plano prevê 100 usinas de etanol de milho

Outra proposta é incentivar a criação de 100 usinas de etanol de milho.

O programa pretende integrar essas unidades às cadeias de aves, suínos e bovinos. Dessa forma, o milho seria utilizado na produção de combustível, energia e coprodutos destinados à alimentação animal.

Um deles é o DDGS, obtido durante o processamento do cereal e utilizado na formulação de rações.

Segundo estimativa apresentada pelo próprio plano, as 100 usinas poderiam processar, juntas, mais de 100 milhões de toneladas de milho por ano quando estivessem plenamente implantadas.

A proposta busca, portanto, conectar produção de grãos, biocombustíveis, pecuária, frigoríficos e indústria de alimentos.

Semiárido teria expansão da irrigação

A agenda rural também inclui o projeto Brasil Oásis, direcionado ao Semiárido e ao Norte de Minas Gerais.

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Nesse caso, o plano propõe ampliar a irrigação e o cultivo protegido, desenvolver a fruticultura e a horticultura e atrair investimentos para reservatórios, câmaras frias, centros logísticos e agroindústrias.

Para aumentar a disponibilidade de água, o documento cita cisternas produtivas, captação de chuva, poços, adutoras, reuso e irrigação de precisão.

Além disso, o programa sugere cooperação tecnológica com Israel na gestão da água e irrigação e com a China em áreas como mecanização, drones e automação.

Fundos do Golfo também aparecem no documento como possíveis fontes de investimento para infraestrutura hídrica e agroindústria.

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Agricultura familiar teria crédito e assistência técnica

Para a agricultura familiar, o plano prevê ampliar crédito, assistência técnica, energia solar, cooperativismo e acesso aos mercados.

Além disso, propõe apoiar assentamentos e pequenas propriedades na produção de alimentos próximos aos centros consumidores.

Entre as cadeias citadas estão frutas, hortaliças, leite, ovos, aves, caprinos, ovinos e pescado.

O cooperativismo também aparece como instrumento para aumentar a escala dos pequenos e médios produtores. Na proteína animal, por exemplo, as cooperativas poderiam compartilhar tecnologia, ração, logística, assistência técnica e comercialização.

O plano também menciona cooperativas de seguro agrícola e a expansão das cooperativas financeiras.

Crédito rural teria fundo garantidor

Na área de financiamento, o programa menciona crédito de longo prazo, criação de um fundo garantidor e juros mais competitivos.

Para cadeias exportadoras, também prevê linhas de financiamento indexadas ao dólar.

Ao mesmo tempo, o documento propõe ampliar a cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Nesse caso, o seguro aparece como instrumento para proteger a produção contra eventos climáticos e facilitar o acesso ao crédito.

Outra iniciativa é o projeto BEE, que prevê polos comerciais instalados em rodovias para a venda de produtos de agricultores familiares, pequenos produtores e produtores orgânicos.

O programa seria desenvolvido por meio de parcerias público-privadas e incluiria incentivos fiscais e medidas para facilitar a formalização dos negócios.

Além disso, turismo rural e agroturismo aparecem como alternativas para diversificar a renda das propriedades.

Exportações de frutas poderiam crescer dez vezes

O plano estabelece como meta dobrar a produção de alimentos e multiplicar por dez a receita brasileira com exportações de frutas.

Entre as cadeias mencionadas estão manga, uva, melão, cítricos, hortaliças, cacau e cafés de nicho.

Para ampliar as vendas externas, o documento propõe criar cinco corredores estratégicos, implantar uma aduana digital e aumentar o crédito e o seguro de exportação para pequenos produtores e agroindústrias.

Além disso, as embaixadas brasileiras teriam participação na abertura de mercados para frutas, proteínas, cafés especiais, cacau e produtos agroindustriais.

Assim, a estratégia combina aumento da produção com processamento no país e busca por novos mercados no exterior.

Tecnologia chegaria a propriedades de diferentes portes

A modernização do campo também aparece no programa.

Entre as tecnologias mencionadas estão inteligência artificial, drones, sensores, agricultura de precisão, melhoramento genético, rastreabilidade e bioinsumos.

O plano também prevê estimular sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e ampliar o uso de tecnologias para gestão da água.

Na infraestrutura, por sua vez, a proposta é integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

O documento também prevê estimular a construção de armazéns e levar internet de alta velocidade às comunidades rurais.

Produtor poderia receber pela conservação ambiental

Na agenda ambiental, o programa propõe ampliar pagamentos por serviços ambientais destinados a produtores que preservem vegetação nativa.

Além disso, prevê incentivos à agricultura regenerativa, conservação do solo e da água e recuperação de áreas degradadas.

Outra proposta é digitalizar e simplificar os processos de licenciamento, com análises proporcionais ao risco de cada empreendimento.

Dessa maneira, o plano relaciona aumento da produção, modernização das propriedades e conservação dos recursos naturais.

Documento apresenta diferenças nos prazos das metas

Apesar de estabelecer metas numéricas, o programa apresenta prazos diferentes para algumas propostas.

A duplicação da produção de alimentos, por exemplo, aparece projetada para um período de oito a dez anos em uma seção e para dez anos em outra.

Algo semelhante ocorre com as 10 mil agroindústrias. Em determinado trecho, a meta é prevista para oito anos, enquanto o capítulo principal dedicado ao tema não estabelece prazo.

Além disso, nas seções voltadas ao agronegócio, o documento não apresenta o custo total das propostas nem detalha integralmente as fontes de financiamento necessárias para executá-las.

Assim, o programa de Augusto Cury para o setor concentra suas principais propostas na agroindustrialização, etanol de milho, agricultura familiar, irrigação, crédito, tecnologia e expansão das exportações.

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Esta reportagem integra o especial do Agro em Campo “Eleições 2026 — O futuro do agro”. O conteúdo tem como base o programa de governo registrado pela candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Metas, números, propostas e projeções atribuídos ao candidato têm como origem esse documento, salvo quando indicada outra fonte.