Resumo da notícia
- O melro-comum foi avaliado como a ave com vocalização mais agradável entre 123 espécies, alcançando média de 4,52 em pesquisa da Universidade de Tubinga com 84 adultos.
- A complexidade dos cantos, combinada com características como menor aspereza e faixa de frequência estreita, influenciou positivamente a percepção humana das vocalizações.
- A familiaridade com aves não afetou as avaliações, mas maior apreço pessoal por aves resultou em notas mais altas, indicando que percepção envolve som e relação emocional com as espécies.
O melro-comum (Turdus merula) recebeu a maior nota entre 123 espécies de aves analisadas pela Universidade de Tubinga, na Alemanha. A espécie alcançou média de 4,52 pontos em uma escala de 1 a 5 entre os participantes.
Para chegar ao resultado, 84 adultos ouviram gravações de diferentes aves e classificaram o quanto consideravam cada vocalização agradável. O trabalho foi publicado em setembro de 2026 na revista Frontiers in Bird Science.
Além da preferência geral, os cientistas observaram características acústicas que podem influenciar essa percepção, como frequência, amplitude, largura da faixa de frequências e complexidade dos sons.
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Melro liderou entre 123 espécies
O melro-comum ficou à frente das demais aves analisadas. O pintassilgo-europeu apareceu em segundo lugar, com 4,26 pontos, seguido pelo pisco-de-peito-ruivo, com 4,04, e pelo chapim-azul, com 3,92.
Na outra ponta, a coruja-das-torres recebeu média de 1,32 ponto.
Os resultados indicam que a percepção humana não depende apenas da intensidade do som. A combinação de diferentes características acústicas também esteve associada à maneira como os participantes avaliaram as vocalizações.

Cantos complexos também agradaram
Um dos resultados chamou a atenção dos cientistas. Inicialmente, eles consideravam a possibilidade de sons mais simples e repetitivos receberem notas maiores.
No entanto, os dados apontaram uma associação entre maior complexidade e avaliações mais positivas. Sons com menor aspereza, menor amplitude e faixa de frequências mais estreita também apareceram relacionados a notas elevadas.
Isso não significa que exista uma fórmula única para produzir um canto agradável. Na prática, diferentes combinações de características podem gerar uma percepção positiva.
Por isso, aves com vocalizações bastante distintas também ficaram entre as mais bem avaliadas. O melro, por exemplo, apresenta um padrão sonoro diferente de outras espécies que receberam notas altas.
Preferência humana não explica tudo
Os cientistas também verificaram se a experiência dos participantes com aves influenciava as notas. A familiaridade com as espécies não apresentou relação significativa com a percepção dos sons.
Por outro lado, pessoas que demonstraram maior apreço pelas aves tenderam a atribuir notas mais altas às vocalizações.
Os dados indicam que a percepção pode envolver tanto as características físicas do som quanto a relação de cada pessoa com as aves. Ainda assim, os mecanismos que fazem determinados padrões acústicos parecerem mais agradáveis permanecem em investigação.
Novas análises poderão verificar se essas preferências se repetem em diferentes culturas e ambientes.
Para as aves, o canto tem outras funções
Embora os seres humanos possam perceber algumas vocalizações como música, as aves utilizam esses sons principalmente para se comunicar.
O canto pode participar da defesa de território, atração de parceiros e comunicação entre indivíduos. As vocalizações também podem transmitir informações relacionadas ao sexo, à idade e às condições do animal.

Além disso, a ideia de que apenas os machos cantam não corresponde ao que já foi documentado em diversas espécies. Fêmeas de muitas aves canoras também utilizam vocalizações para defender territórios e se comunicar com parceiros.
Assim, uma espécie receber uma nota alta dos seres humanos não significa que seu canto tenha surgido para agradar aos nossos ouvidos. Para as aves, esses sons cumprem funções biológicas específicas.
Resultado ajuda a entender os sons da natureza
Nesse contexto, compreender quais características tornam determinadas vocalizações mais agradáveis pode contribuir para estudos sobre paisagens sonoras e sobre a experiência das pessoas em áreas verdes.
O melro-comum ficou no primeiro lugar da classificação, mas o resultado aponta para algo mais amplo: a preferência humana pelo canto das aves envolve uma combinação de características acústicas e também pode sofrer influência da relação de cada pessoa com esses animais.