Paraná lidera o mercado, enquanto exportações avançam e novas regras ambientais colocam o setor diante de desafios
tilápia
Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

A produção de tilápia no Brasil chegou a 707.495 toneladas em 2025, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da Peixe BR. O volume representa crescimento de 6,83% em relação a 2024 e confirma a força da espécie na piscicultura nacional.

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Ao mesmo tempo, o país ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo. A produção total alcançou 1.011.540 toneladas em 2025, alta de 4,41% em relação ao ano anterior. Em dez anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6%, enquanto a produção de tilápia avançou 148,2%.

Paraná mantém liderança na produção

O Paraná liderou a produção nacional de tilápia em 2025, com 273.100 toneladas. Na sequência apareceram São Paulo, com 88.500 toneladas; Minas Gerais, com 73.500 toneladas; Santa Catarina, com 52.700 toneladas; e Mato Grosso do Sul, com 38.700 toneladas.

O resultado também colocou o Paraná na liderança da produção brasileira de peixes de cultivo, com 273 mil toneladas. O estado registrou crescimento de 9,1% no volume total em relação a 2024 e respondeu por 27% da produção nacional.

Além disso, a cadeia paranaense conta com forte participação de cooperativas e sistemas de integração. Esse modelo amplia a escala da atividade e aproxima produtores, frigoríficos e outros elos do setor.

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Exportações ampliam mercado para a tilápia

O crescimento da produção também abriu espaço no comércio internacional. Em 2025, o Brasil exportou 13.684 toneladas de peixes de cultivo e movimentou cerca de US$ 60 milhões. O volume caiu 1% em relação a 2024, mas a receita cresceu 2%.

A tilápia respondeu por 94% do volume exportado, o que mostra a importância da espécie para as vendas externas da piscicultura brasileira.

O Paraná liderou esse mercado, com 50% das exportações brasileiras de tilápia e US$ 28 milhões em vendas. São Paulo registrou US$ 16 milhões, enquanto Mato Grosso do Sul alcançou US$ 10,7 milhões.

Os Estados Unidos continuaram como principal destino das exportações brasileiras de peixes de cultivo em 2025, respondendo por 87% do valor. O setor também ampliou a lista de mercados e abriu 21 novos destinos, entre eles o México.

Importações pressionam a cadeia em 2026

Apesar do avanço da produção nacional, a cadeia começou 2026 sob pressão das importações de filé de tilápia do Vietnã.

Em fevereiro, o Brasil importou mais de 1,3 mil toneladas do produto. Segundo a Peixe BR, o volume equivalia a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo e correspondia a 6,5% da produção mensal brasileira. Pela primeira vez, as importações superaram as exportações de tilápia no mês.

Nos meses seguintes, porém, o movimento perdeu força. Dados da Embrapa Pesca e Aquicultura citados pela Peixe BR mostram que as importações chegaram a 1.956 toneladas em março, recuaram para 1.342 toneladas em junho e caíram para 957 toneladas em julho.

Portanto, o mercado passou a conviver com dois movimentos ao mesmo tempo: a produção nacional mantém uma trajetória de expansão, enquanto o pescado importado aumenta a concorrência no mercado interno.

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Eficiência ganha peso na criação

Com a expansão da atividade, o produtor precisa acompanhar de perto os custos e o desempenho dos lotes. Ração, energia, mão de obra, qualidade da água, sanidade e conversão alimentar têm impacto direto no resultado da criação.

Além disso, investimentos em genética, tecnologia, automação e processamento ajudam a cadeia a elevar a produtividade e atender mercados mais exigentes.

Por isso, aumentar o volume produzido representa apenas uma parte do desafio. A eficiência do sistema de criação e a capacidade de agregar valor ao pescado também influenciam a competitividade do setor.

Questões ambientais exigem atenção

A expansão da tilapicultura também envolve cuidados ambientais. A tilápia é uma espécie exótica no Brasil, e sua criação exige medidas de manejo para reduzir riscos associados à fuga de animais e à introdução em ambientes naturais.

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Nesse contexto, o crescimento da produção precisa caminhar junto com regras de biossegurança, controle e acompanhamento ambiental. O tema ganhou ainda mais atenção em 2026 diante das discussões regulatórias envolvendo a espécie.

O impacto para o consumidor

O aumento da produção amplia a oferta de tilápia para frigoríficos, supermercados, restaurantes e outros canais de venda. Entretanto, o preço final não depende apenas do volume produzido.

Custos de ração, transporte, processamento, demanda, câmbio e concorrência com o pescado importado também interferem nos valores pagos pelo consumidor.

No Paraná, por exemplo, dados divulgados pelo Deral apontaram redução no preço do filé de tilápia no varejo durante a Quaresma de 2026. O movimento mostra como mudanças na oferta e na demanda podem chegar ao mercado consumidor.

Assim, a marca de 707 mil toneladas em 2025 representa mais do que um recorde de produção. O resultado mostra a dimensão que a tilápia alcançou no agronegócio brasileiro e, ao mesmo tempo, evidencia os desafios que acompanham uma cadeia cada vez maior.

Para produtores, indústria e varejo, a próxima etapa envolve manter a eficiência, ampliar mercados e acompanhar de perto a concorrência externa e as mudanças regulatórias.