Resumo da notícia
- Os preços da carne de frango congelada e resfriada tiveram as maiores altas mensais desde março de 2022, impulsionadas pela demanda firme, oferta ajustada e o feriado da Independência.
- O poder de compra dos produtores de ovos em São Paulo caiu pelo terceiro mês seguido, devido à alta nos custos do milho e farelo de soja e à queda nas cotações dos ovos.
- O mercado avícola apresenta cenários distintos: carne de frango com perspectivas favoráveis e avicultura de postura pressionada pela relação de troca desfavorável entre ovos e insumos.
O mercado avícola terminou setembro com movimentos opostos. Enquanto os preços da carne de frango congelada e resfriada registraram as maiores altas mensais desde março de 2022, o poder de compra dos produtores de ovos caiu pelo terceiro mês consecutivo. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
No mercado de frango, o atacado da Grande São Paulo registrou a valorização. O levantamento considera os preços em termos reais, já descontada a inflação. Segundo pesquisadores do Cepea, a demanda firme e a oferta ajustada sustentaram as cotações durante setembro.
Além disso, a procura pela proteína permaneceu aquecida principalmente na primeira quinzena do mês, período tradicionalmente associado ao aumento do poder de compra da população. O feriado da Independência do Brasil, em 7 de setembro, também contribuiu para elevar a demanda pela carne de frango.
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Ao mesmo tempo, a disponibilidade mais ajustada da proteína no mercado ajudou a manter os preços em alta. Para o início de outubro, agentes consultados pelo Cepea mantêm perspectivas favoráveis para o mercado de carne de frango.
Produtor de ovos perde poder de compra
No mercado de ovos, por outro lado, o cenário ficou mais pressionado. O poder de compra do avicultor de postura de São Paulo em relação ao milho e ao farelo de soja caiu em setembro pelo terceiro mês consecutivo.
De acordo com o Cepea, a perda foi mais intensa na relação de troca com o farelo de soja. Em agosto, o indicador havia recuado pelo segundo mês seguido e atingido o menor patamar desde fevereiro, em termos reais.
Em julho, a combinação entre a queda nos preços dos ovos e a valorização do milho e do farelo de soja também reduziu o poder de compra do produtor. Naquele mês, a relação de troca atingiu o menor nível desde janeiro.
Na comparação entre o terceiro e o segundo trimestre de 2026, o aumento dos custos de produção, junto com a queda nas cotações dos ovos, reduziu a capacidade de compra dos produtores.
Como consequência, as relações de troca dos ovos com o milho e o farelo de soja atingiram, no terceiro trimestre, os menores níveis, em termos reais, desde 2022.
Dois cenários dentro da avicultura
Os dados mostram, portanto, uma diferença importante dentro da própria cadeia avícola. A carne de frango encontrou sustentação na demanda e na oferta ajustada, enquanto a produção de ovos enfrentou um cenário menos favorável, marcado pela queda nas cotações e pela pressão dos principais insumos usados na alimentação das aves.
Para outubro, o comportamento dos preços será acompanhado de perto pelos agentes do setor. No caso do frango, o Cepea aponta perspectivas favoráveis no início do mês, enquanto, na avicultura de postura, a evolução das cotações dos ovos e dos custos com alimentação será determinante para a relação de troca dos produtores.