Resumo da notícia
- Os ipês rosados floresceram mais tarde em 2026 na região de Miranda, MS, devido ao El Niño, que trouxe mais chuva em setembro, alterando o ciclo normal de floração no Pantanal.
- A sequência tradicional das cores dos ipês mudou, com amarelos e brancos florescendo fora da ordem habitual, refletindo as variações climáticas e locais.
- A floração dos ipês é influenciada por chuva, temperatura e umidade, fatores que variam anualmente e impactam o calendário e a duração do florescimento na região.
Os ipês rosados floresceram mais tarde em 2026 na região de Miranda, em Mato Grosso do Sul. Na Fazenda Caiman, as árvores foram registradas com flores no fim de setembro, depois do período em que normalmente começa a temporada no Pantanal.
A mudança ocorreu em um ano marcado pela atuação do El Niño, fenômeno climático que altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil. Na área onde os ipês foram observados, setembro teve mais chuva, condição que, segundo o biólogo José Milton Longo, ajuda a explicar o atraso na florada.
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Chuva e temperatura influenciam a floração
Segundo o biólogo José Milton Longo, especialista em ipês, a floração responde às condições de chuva, temperatura e umidade registradas antes e durante o período de florescimento.
“Foi um setembro mais chuvoso e como eles são regulados pela temperatura e umidade, eles respondem dessa forma, mesmo que seja atemporal. É um pouco do reflexo do que a gente tá tendo de alteração nesses regimes pluviométricos de temperatura, como o El Niño”, explica.
O especialista relaciona a alteração observada às mudanças nos regimes de chuva e temperatura. No entanto, o comportamento da floração também depende das condições ambientais locais, que podem variar entre espécies e regiões.
A relação entre clima e florescimento ajuda a explicar por que o calendário dos ipês não permanece exatamente igual todos os anos. Mudanças nas condições de umidade, temperatura e chuva podem antecipar ou retardar o aparecimento das flores.
Sequência de cores também mudou
A alteração não ocorreu apenas com os ipês rosados. Segundo Longo, a sequência tradicional de floração das diferentes cores também apresentou mudanças ao longo de 2026.
Normalmente, os ipês roxos e rosados aparecem primeiro, a partir de junho. Depois, entram em floração os amarelos e, por último, os brancos. Neste ano, porém, essa ordem não se manteve.
“Bagunçou tudo. O amarelo floresceu de novo naquela segunda frente fria atrás. Os brancos tiveram aquela explosão de cor bem no comecinho, e deveriam estar florescendo agora. Seria o último a fechar esse ciclo de cores dos ipês.”

A floração dos ipês no Pantanal costuma ocorrer durante a estiagem. Quando as chuvas diminuem, as árvores perdem folhas e direcionam recursos para a reprodução. As flores atraem insetos e aves, que participam da polinização.
Cada árvore permanece florida por cerca de cinco a sete dias. A duração, porém, varia conforme a espécie e as condições ambientais. Por isso, diferentes árvores podem apresentar flores em momentos distintos, prolongando a temporada de cores na paisagem.
Pantanal acompanha mudanças no ciclo dos ipês
Durante a estação seca, os ipês transformam a paisagem do Pantanal com flores roxas, rosas, amarelas e brancas. Cada espécie apresenta seu próprio período de floração, formando uma sequência que pode mudar conforme as condições de cada ano.
Em 2026, essa alteração ficou evidente na região de Miranda. Enquanto os ipês rosados floresceram no fim de setembro, outras espécies também apresentaram mudanças em relação à sequência tradicional observada na região.
O contexto climático ajuda a entender essa variação. O El Niño pode modificar os padrões de chuva e temperatura, mas seus efeitos não são iguais em todas as áreas. Por isso, o fenômeno serve como parte do contexto climático de 2026, enquanto as condições registradas localmente ajudam a explicar o comportamento observado nos ipês de Miranda.
A florada registrada na região mostra, portanto, como as condições ambientais podem alterar o calendário natural das árvores. O acompanhamento das próximas semanas poderá indicar como as diferentes espécies encerram o ciclo de cores dos ipês em 2026.


