Resumo da notícia
- Enzima Arazyme, desenvolvida a partir de bactéria da aranha Nephila clavata, chega ao Brasil para melhorar a digestão de proteínas na alimentação de bovinos, suínos e aves.
- A tecnologia promete aumentar a eficiência produtiva ao facilitar a liberação de aminoácidos, potencializando o aproveitamento dos nutrientes da ração animal.
- Estudos da UDESC indicam ganho de 13% na eficiência alimentar, mas resultados dependem da dosagem correta e do sistema de criação adotado pelo produtor.
Uma enzima descoberta a partir de uma bactéria associada à aranha Nephila clavata chegou ao mercado brasileiro com a proposta de melhorar a digestão de proteínas e aumentar o aproveitamento dos nutrientes na alimentação animal.
Desenvolvida na Coreia do Sul pela InsectBiotech, a Arazyme será comercializada no Brasil pela Karazyme, empresa do Grupo Camargo. A tecnologia mira principalmente a alimentação de bovinos, suínos e aves.
A proposta ganha importância porque a alimentação representa uma parcela significativa dos custos da produção pecuária. Por isso, qualquer ganho comprovado no aproveitamento da ração pode ajudar o produtor a melhorar a eficiência do sistema.
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A tecnologia surgiu a partir de uma bactéria associada ao processo de digestão extracelular da aranha Nephila clavata. A partir dessa descoberta, a InsectBiotech desenvolveu um processo para produzir a enzima em escala e direcioná-la à alimentação animal.
Como a enzima atua na alimentação animal
A enzima para nutrição animal atua sobre as proteínas presentes na ração. Ao quebrar essas moléculas, ela facilita a liberação de aminoácidos e pode favorecer o aproveitamento dos nutrientes durante a digestão.
Assim, a tecnologia busca melhorar a digestibilidade da dieta e aumentar a eficiência com que o animal utiliza os componentes proteicos da alimentação.
Segundo as informações divulgadas pela empresa, a formulação pode ser utilizada na alimentação de bovinos de corte e leiteiro, suínos e aves de corte. No entanto, a aplicação exige uma dosagem adequada para cada espécie e sistema de produção.
A empresa também cita estudos de cientistas da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) que teriam registrado ganho de 13% na eficiência alimentar. Porém, sem a identificação da publicação científica e dos detalhes dos experimentos, não é possível confirmar em quais condições o resultado ocorreu nem estender esse percentual para diferentes sistemas de criação.
Tecnologia busca aumentar a eficiência produtiva
De acordo com Fábio Camargo, CEO do Grupo Camargo, a tecnologia pode entrar na formulação da ração em pequenas quantidades e manter compatibilidade com ingredientes utilizados normalmente na alimentação animal.
“Essa tecnologia tem a nossa distribuição exclusiva no Brasil e já é bastante reconhecida em outros países. É uma formulação biosustentável, aplicada em pequenas quantidades na ração e compatível com todos os ingredientes usuais da alimentação no agro. O acompanhamento zootécnico garante a formulação correta e o resultado é visto não só no ganho de peso dos animais, mas na melhora da saúde do rebanho, melhor qualidade do leite e a produção de uma carne de qualidade, com melhor perfil de aminoácidos e gorduras saudáveis”, destaca o CEO do Grupo Camargo, proprietário da Karazyme, Fábio Camargo.
Ainda assim, o produtor precisa avaliar esses resultados de acordo com a espécie, a composição da dieta e as condições de manejo. Além disso, afirmações sobre saúde dos animais, qualidade do leite e composição da carne dependem de evidências específicas para cada efeito.
Aplicação exige acompanhamento técnico
Na prática, a equipe técnica da Karazyme acompanha o produtor na definição da dosagem indicada para cada rebanho ou granja. Segundo a empresa, o produto passa por testes antes de entrar na alimentação diária dos animais.
Durante esse acompanhamento, a equipe pode observar indicadores como consumo de ração, ganho de peso e desempenho produtivo. Dessa maneira, o produtor consegue comparar os resultados da tecnologia com aqueles obtidos anteriormente na propriedade.
Além do desempenho zootécnico, o custo também merece atenção. Para saber se a enzima digestiva proporciona retorno financeiro, o produtor precisa comparar o investimento no produto com os possíveis ganhos de eficiência alimentar e produtividade.
Portanto, sem dados econômicos obtidos em diferentes sistemas de produção, não é possível afirmar que a tecnologia reduz os custos de forma consistente em todas as atividades pecuárias. O resultado depende da dieta, do manejo, da espécie e das condições de cada criação.