Resumo da notícia
- O Conselho Oleícola Internacional retorna ao Brasil para capacitar profissionais, promover o consumo e melhorar a qualidade do azeite, com ações entre 12 e 20 de outubro no RS e RJ.
- Desde 2024, o COI e o Ibraoliva trabalham juntos para fortalecer o mercado brasileiro, ampliando conhecimento e formação em avaliação sensorial de azeites.
- A fiscalização é prioridade para garantir a qualidade do azeite importado e evitar a rotulagem incorreta, protegendo consumidores e produtores nacionais.
O Conselho Oleícola Internacional (COI) retorna ao Brasil pelo terceiro ano consecutivo com uma programação voltada à capacitação de profissionais, à qualidade dos produtos comercializados no país e à promoção do consumo de azeite. As atividades ocorrem entre 12 e 20 de outubro, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária.
A nova visita dá continuidade a um trabalho iniciado em 2024, após o organismo internacional definir o Brasil como um dos países estratégicos para a promoção do consumo de azeite. Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, as ações previstas para o período de 2024 a 2027 acompanham o crescimento do interesse pelo mercado brasileiro e a necessidade de ampliar o conhecimento sobre as características dos produtos.
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“Quando o COI chegou aqui, buscou uma relação com o Ibraoliva e com os produtores brasileiros. Estamos no terceiro ano de ações conjuntas”, afirma.
Capacitação fortalece a olivicultura brasileira
Na primeira visita, em 2024, representantes do COI conheceram olivais e unidades de produção em Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul e Restinga Sêca, no Rio Grande do Sul. A comitiva também participou de reuniões com autoridades federais para discutir a possibilidade de ingresso do Brasil no organismo internacional, uma reivindicação dos produtores nacionais.
Na ocasião, o então diretor executivo do conselho, Jaime Lillo, reconheceu a qualidade dos azeites brasileiros após conhecer propriedades gaúchas.
Em 2025, a programação avançou com atividades direcionadas ao varejo e à gastronomia, incluindo encontros com produtores da região da Mantiqueira, em São Paulo e Minas Gerais. Em Porto Alegre, as masterclasses abordaram as diferenças entre azeites virgens e extravirgens, os cuidados com a comercialização e a importância da avaliação sensorial para identificar as características dos produtos.
Neste ano, a formação de profissionais continua entre os objetivos da cooperação. A análise sensorial de azeites permite avaliar características como aroma e sabor e contribui para a classificação dos produtos.
Obino Filho considera a capacitação necessária para ampliar a estrutura brasileira de avaliação e formar especialistas capazes de integrar painéis de análise sensorial.
“Precisamos desses profissionais que estão sendo formados pelo COI para que possam definir se o azeite é extravirgem, virgem e avaliar sua qualidade”, explica.
Fiscalização busca proteger a qualidade do azeite
A qualidade dos produtos importados também integra as discussões entre os representantes brasileiros e o COI. De acordo com Obino Filho, o setor busca fortalecer a fiscalização para evitar que azeites classificados como virgens sejam comercializados com rotulagem de extravirgens.
O presidente do Ibraoliva afirma que análises realizadas pelo Ministério da Agricultura identificaram casos de divergência entre a classificação dos produtos e a rotulagem utilizada. Por isso, o cumprimento das regras é importante para garantir transparência ao consumidor e fortalecer a confiança no mercado.
“Queremos regulamentar bem esse mercado, para que ele possa crescer e para que o consumo de azeite seja promovido com responsabilidade”, salienta.
A avaliação sensorial contribui para identificar atributos do produto, mas não substitui as demais verificações exigidas para determinar sua categoria. A classificação também depende do atendimento aos parâmetros físico-químicos e aos critérios previstos nas normas aplicáveis.
Brasil tem participação relevante nas importações
O Brasil ocupa uma posição importante no comércio internacional de azeite, embora o consumo por habitante ainda seja relativamente baixo.
Segundo Obino Filho, o país é o segundo maior importador mundial de azeite e responde por quase 10% das compras internacionais. O dirigente estima que o consumo brasileiro varie entre 400 e 500 mililitros por pessoa ao ano, enquanto em países europeus a média pode chegar a 10 litros.
Essa diferença indica espaço para ampliar o consumo e o conhecimento sobre o produto. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do mercado pode criar oportunidades para fornecedores internacionais e para a produção brasileira de azeite.
Para aproveitar esse potencial, o setor precisa investir em qualidade, capacitação profissional e informação ao consumidor. A divulgação das características dos produtos também pode ajudar o público a compreender as diferenças entre as categorias de azeite.
Programação reúne produtores e profissionais
A agenda divulgada pelos organizadores prevê atividades no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Em 12 de outubro, a programação começou com a previsão de um coquetel para produtores em Porto Alegre. No dia seguinte, representantes da cadeia produtiva deveriam participar de um encontro em Bagé, com a presença de dirigentes internacionais.
Em 16 de outubro, Porto Alegre deve receber a cerimônia de encerramento da capacitação e a entrega de certificados aos participantes. Já nos dias 19 e 20 de outubro, a programação segue para o Rio de Janeiro, com masterclasses destinadas a profissionais de alimentação fora do lar e representantes do varejo. As atividades têm vagas limitadas, conforme as informações divulgadas pelos organizadores.
Entre os representantes internacionais anunciados estão Abderraouf Laajimi, diretor executivo adjunto do COI, e María Juarez, da Unidade de Economia e Promoção do organismo. Também estão previstas as participações das especialistas em análise sensorial Susana Mattar, da Argentina, e Ana Claudia Ellis, do Uruguai.
Durante as masterclasses, os participantes devem realizar exercícios práticos para reconhecer características de aroma e sabor que ajudam a diferenciar as categorias de azeite.
A programação integra as ações de promoção do consumo e de capacitação desenvolvidas pelo COI no Brasil, em parceria com o Ibraoliva e o Ministério da Agricultura.