Resumo da notícia
- A capivara emite sons variados, incluindo um latido que funciona como alerta para predadores, ajudando na comunicação e reação a perigos dentro do grupo.
- Pesquisas identificaram sete tipos de vocalizações das capivaras, usadas para diferentes contextos sociais, como contato, aflição e conflitos, demonstrando a complexidade da comunicação da espécie.
- Nativa de áreas próximas a rios e lagos da América do Sul, a capivara utiliza seu habitat semiaquático para se proteger de predadores naturais como a onça-pintada, mantendo o equilíbrio ecológico.
Se você ouvir um latido perto de um grupo de capivaras, talvez não seja um cachorro. Capivara late, sim, e o som pode surpreender quem nunca presenciou esse comportamento. A vocalização faz parte da comunicação do maior roedor do mundo e pode servir como alerta quando o animal percebe uma situação de perigo.
Segundo o biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, esse som pode funcionar como um alerta quando a capivara percebe uma ameaça, como a presença de um predador.
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A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) vive em grupos e utiliza diferentes vocalizações para interagir com outros indivíduos. Por isso, compreender esses sons ajuda a explicar como a espécie se comunica e responde às condições do ambiente.
Por que a capivara late?

O som semelhante ao latido integra o repertório de vocalizações da capivara. Esses ruídos podem desempenhar diferentes funções, desde manter o contato entre indivíduos até sinalizar situações que exigem atenção.
Como as capivaras vivem em grupos, a comunicação sonora pode ajudar a transmitir informações sobre o ambiente. Quando existe uma ameaça por perto, determinadas vocalizações podem contribuir para alertar outros integrantes.
No entanto, nem todo som parecido com um latido indica necessariamente perigo. Para compreender sua função, é preciso considerar o contexto em que o animal emite a vocalização.
Estudo científico identifica sete tipos de sons

A comunicação das capivaras também foi objeto de uma pesquisa publicada na revista científica Ethology, em 2011.
Os pesquisadores analisaram 2.069 vocalizações emitidas por 28 animais mantidos em cativeiro e identificaram sete tipos de sons.
O repertório inclui, por exemplo, assobios, choros, gemidos, guinchos, latidos, estalidos e ranger de dentes.
Os autores relacionaram essas vocalizações a diferentes contextos comportamentais, como contato social, alerta, aflição e interações agonísticas, que envolvem conflitos entre indivíduos.
Os resultados mostram que a comunicação sonora desempenha um papel importante nas interações entre as capivaras.
Além disso, ajudam a compreender como esses animais utilizam diferentes sons em suas relações sociais.
Capivara vive perto da água e tem predadores naturais

Nativa da América do Sul, a capivara ocupa principalmente áreas próximas a rios, lagos, brejos e outras regiões úmidas. Seus hábitos semiaquáticos facilitam o deslocamento na água, que também pode servir como refúgio diante de ameaças.
Entre seus predadores naturais está a onça-pintada, que habita diferentes ecossistemas brasileiros, incluindo o Pantanal. Nesse ambiente, a relação entre predadores e presas faz parte do equilíbrio ecológico.
Enquanto a capivara se alimenta principalmente de vegetação, a onça-pintada caça diferentes espécies para obter alimento. Assim, reconhecer ameaças e responder a elas pode ser importante para a sobrevivência do roedor.
O som semelhante ao latido, portanto, vai além de uma curiosidade sobre o comportamento animal. Ele integra um repertório de comunicação que ajuda a explicar como as capivaras interagem entre si e respondem aos estímulos do ambiente.