Resumo da notícia
- O sertão nordestino, especialmente Petrolina, se destaca na produção de uvas finas, com a cooperativa Coopexvale abastecendo 70% do mercado interno e 30% para exportação.
- A Coopexvale investe em genética internacional, adaptando variedades da Califórnia para garantir alta qualidade e atender a um consumidor brasileiro mais exigente.
- Com infraestrutura moderna e marcas premium como Gota de Mel, a cooperativa amplia seu valor agregado, recebendo até 70% mais pelo padrão elevado de suas uvas.
O sertão nordestino, marcado pelo clima seco e pela escassez de chuvas, se consolidou como uma das principais regiões produtoras de uvas do Brasil. Em Petrolina, no sertão de Pernambuco, a Coopexvale (Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco) reúne produtores que transformaram o Vale do São Francisco em referência nacional e internacional na produção de uvas finas de mesa. Fundada em 2004, a cooperativa nasceu voltada à exportação. No entanto, ao longo dos anos, encontrou no mercado interno uma oportunidade tão rentável quanto o comércio exterior.
Atualmente, 70% da produção da cooperativa abastece o mercado brasileiro, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Enquanto isso, os outros 30% seguem para exportação. Segundo Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da cooperativa, a mudança de estratégia ocorreu após a percepção de que o consumidor brasileiro passou a valorizar frutas com padrão elevado de qualidade.
“Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. A gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo”, afirmou.

Com cerca de 640 hectares cultivados em Petrolina, a Coopexvale reúne 40 cooperados e trabalha exclusivamente com uvas de mesa. São aproximadamente 12 variedades produzidas, entre uvas brancas, vermelhas e pretas. Além disso, a cooperativa é considerada a maior do segmento no Vale do São Francisco, região que possui cerca de 18 mil hectares plantados com uvas.
Além da produção, a estrutura chama atenção pela dimensão logística. A cooperativa conta com seis túneis de resfriamento, nove câmaras frias, três decks de embarque, laboratório de análise, estação de tratamento de água, posto de combustíveis e 1.452 placas solares para geração de energia.
Genética e qualidade elevam padrão das uvas
Boa parte das variedades cultivadas pela cooperativa tem origem em programas de genética da Califórnia, nos Estados Unidos. Todos os anos, representantes da cooperativa visitam fazendas experimentais norte-americanas para acompanhar os lançamentos do setor.
Segundo Jailson, as novas variedades passam primeiro por testes de adaptação ao clima do Vale do São Francisco antes de serem introduzidas comercialmente. Dessa forma, a cooperativa consegue avaliar o desempenho das frutas na região.
“A genética que sai dos Estados Unidos imediatamente já está aqui no Vale. Produzimos frutas com a mesma qualidade da Califórnia, Itália e Espanha praticamente ao mesmo tempo”, destacou.
Além disso, a busca por sabor, crocância e padronização fez a cooperativa firmar contratos com empresas de genética a partir de 2021. O objetivo é atender um consumidor cada vez mais exigente.

Entre as marcas da cooperativa, a Gota de Mel se tornou referência no segmento premium. Nesse modelo, a seleção começa ainda no campo e, segundo a cooperativa, o mercado chega a pagar até 70% mais pelas frutas classificadas dentro desse padrão.
Além dela, a Coopexvale trabalha com as marcas Doçura do Vale, Uvas do Campo, Gotinha de Mel — voltada ao público infantil — e CPX, destinada ao mercado internacional.
Mercado interno ganha força na cooperativa
Fundada em 2004, a Coopexvale nasceu com foco no mercado externo. Porém, ao longo dos anos, a cooperativa percebeu que o mercado brasileiro também apresentava forte potencial de crescimento.
Hoje, 70% da produção abastece o mercado interno, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Já as exportações seguem o calendário mundial da produção de uvas, concentradas principalmente nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro.
“Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. Porém, a gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo, temos um padrão de qualidade”, afirmou Jailson.
Segundo ele, a cooperativa passou a investir em marcas e critérios específicos de sabor e qualidade para enfrentar as oscilações do mercado e ampliar valor agregado.
Atualmente, a Coopexvale é reconhecida pela qualidade das frutas no mercado nacional. Além disso, a cooperativa trabalha durante as 52 semanas do ano no abastecimento interno.
Cooperativismo amplia impacto econômico no Vale
A cooperativa começou em 2004 com 20 produtores. Desde então, ampliou a área cultivada, fortaleceu a estrutura e avançou na sucessão familiar.

Hoje, cerca de 20% dos cooperados já possuem filhos atuando diretamente no negócio. Para Jailson, o cooperativismo permite que pequenos produtores alcancem mercados antes inacessíveis.
“O cooperativismo é a oportunidade de o pequeno produtor ter o mesmo peso do grande. Somos todos iguais”, afirmou.
Ele também destacou que a cooperativa passou por dificuldades em 2010, período que exigiu reestruturação administrativa e financeira.
“É preciso ter paciência com o cooperativismo para atingir o sucesso”, disse.
Além disso, a cadeia produtiva da uva exerce forte impacto econômico e social na região. Segundo a cooperativa, um hectare de uva gera entre quatro e cinco empregos diretos.
Considerando os 18 mil hectares cultivados no Vale do São Francisco, a atividade movimenta cerca de 72 mil empregos.
Atualmente, a Coopexvale possui 110 funcionários diretos na cooperativa. Somando as fazendas dos cooperados, são aproximadamente 4 mil empregos ligados à atividade.
O faturamento da cooperativa chegou a R$ 272 milhões em 2025. Paralelamente, a entidade mantém ações sociais voltadas às comunidades locais e apoia instituições como o Hospital do Câncer.
“O Brasil é o país do agro, mas o agro não recebe a importância que deveria”, afirmou Jailson.
“Uva quer sol e água”, resumiu o diretor ao explicar a vocação do Vale do São Francisco para a fruticultura irrigada.









