Resumo da notícia
- A produção de sorgo no Brasil deve alcançar 7,6 milhões de toneladas em 2025/26, reduzindo a distância para os EUA, que projetam 9,65 milhões em 2026/27, impulsionando o país no mercado global.
- A valorização do sorgo, com preços próximos ao milho e menor custo de produção, aliada à tolerância à seca, favorece seu cultivo na segunda safra, com destaque para Goiás, que lidera a produção nacional.
- A abertura do mercado chinês para o sorgo brasileiro amplia oportunidades, especialmente para uso em ração animal e etanol, fortalecendo a demanda e incentivando o crescimento da cultura no país.
O Brasil amplia a produção de sorgo e reduz a distância para os Estados Unidos no mercado mundial. Segundo a Conab, a produção brasileira deve chegar a cerca de 7,6 milhões de toneladas na safra 2025/26, enquanto o USDA projeta 9,65 milhões de toneladas para os Estados Unidos em 2026/27. Assim, o Brasil ainda não ocupa a liderança mundial, mas o avanço do sorgo mudou a posição do país no mercado internacional.
Segundo André Aguirre Ramos, da consultoria Aguirre Ramos, o sorgo passou por um período de pouca atenção no Brasil. Agora, porém, a relação de preços com o milho e o menor custo de produção aumentam o interesse dos produtores. Historicamente, o sorgo valia cerca de 70% do preço do milho, segundo o consultor. Atualmente, essa relação fica entre 85% e 95% e, em determinados períodos, o cereal pode alcançar preço equivalente ou até superior ao do milho.
- Sorgo-vassoura gera renda e mantém vassoura caipira no mercado
- Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina crescimento de milho e sorgo
“O jogo mudou. Imagine um produto que tem preço similar ao do milho, custo menor de produção e possibilidade de novos usos? Esse cenário estimulou toda a cadeia”, afirma Aguirre.
Sorgo ganha espaço na segunda safra
Além dos preços, a maior tolerância ao déficit hídrico favorece o avanço do sorgo. A cultura suporta períodos de menor disponibilidade de água e, por isso, adapta-se bem a janelas mais tardias de plantio. Consequentemente, o cereal ganhou espaço na segunda safra. Na temporada 2025/26, a Conab estima uma área plantada de aproximadamente 2,2 milhões de hectares no país.
Goiás lidera a produção de sorgo nacional. O estado deve colher cerca de 2,2 milhões de toneladas na safra, o equivalente a 29,3% do total brasileiro. Ainda assim, a tolerância à seca não elimina a necessidade de manejo adequado. O produtor precisa manter cuidados com o solo e garantir a adubação necessária para sustentar o desenvolvimento da lavoura.
Ração e etanol ampliam a demanda
Ao mesmo tempo, o sorgo encontra novas oportunidades além da produção de grãos para o mercado interno. O cereal pode ser utilizado na alimentação animal e também como matéria-prima para a produção de etanol. De acordo com Aguirre, unidades de etanol podem trabalhar com milho e sorgo. Além disso, o processo gera DDG, um coproduto utilizado na alimentação animal.
O consultor estima um custo de produção de aproximadamente R$ 5.000 por hectare para o milho, contra R$ 3.500 para o sorgo. Ele também calcula rendimento de 110 sacas por hectare para o milho e 90 sacas para o sorgo. Entretanto, esses valores são estimativas do consultor e podem variar conforme região, produtividade, tecnologia empregada e preços dos insumos.
China abre novo mercado
Outro fator que pode estimular a produção de sorgo é a abertura do mercado chinês. O acordo fitossanitário entre Brasil e China criou condições para a exportação de sorgo brasileiro ao país asiático. Em agosto de 2026, a Cofco embarcou 69 mil toneladas do cereal pelo Porto de Santos com destino à China.
Com isso, o produtor brasileiro passa a contar com uma alternativa adicional de comercialização. Além das exportações, a demanda doméstica continua ligada principalmente à alimentação animal e à produção de bioenergia.
Brasil ainda busca a liderança
Apesar do avanço, os números disponíveis ainda não confirmam uma liderança brasileira. As projeções internacionais mantêm os Estados Unidos à frente na produção mundial. Por outro lado, a produção de sorgo brasileira cresce apoiada pela expansão da área, pelo uso na segunda safra e pela abertura de novos mercados.
Aguirre projeta que a área cultivada com sorgo possa chegar a 5 milhões de hectares em quatro anos. Essa, contudo, é uma estimativa do consultor e dependerá da rentabilidade da cultura, dos preços, da produtividade e do comportamento da demanda.
Por enquanto, os dados mostram um cenário de expansão. O sorgo, que durante anos recebeu menos atenção dos produtores brasileiros, passou a disputar espaço com culturas mais tradicionais em diferentes regiões do país.