Resumo da notícia
- O Brasil lidera a produção e exportação mundial de café, respondendo por 33,3% da produção global e gerando US$ 5,23 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026.
- Arábica, cultivado em altitudes maiores, oferece sabor complexo e doce, enquanto Robusta, com mais cafeína, é usado em cafés solúveis e blends fortes.
- Cafés tradicionais misturam grãos variados e podem conter defeitos, já os especiais têm qualidade certificada, sabor limpo e origem rastreável, sendo recomendados para iniciantes.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por cerca de 33,3% de toda a produção global. Só no primeiro quadrimestre de 2026, o país enviou ao exterior 13,81 milhões de sacas, gerando uma receita de US$ 5,23 bilhões, segundo o Observatório do Café. Apesar disso, grande parte dos brasileiros desconhece o básico sobre o produto que está entre as bebidas mais consumidas no país, ficando atrás apenas da água.
É nesse contexto que o Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, ganha relevância. A data serve como convite para entender o que há dentro da xícara.
Arábica x Canéfora/Robusta: qual a diferença?
O ponto de partida para quem quer entender o universo do café é conhecer as duas espécies mais comuns: o Arábica e o Canéfora, também chamado de Robusta ou Conilon. A explicação é de Joshua Stevens, co-fundador e coffee hunter do Café Cultura.
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O Arábica é a espécie mais cultivada no mundo e se destaca pelo perfil sensorial mais complexo. Isso se deve ao seu cultivo em altitudes superiores a 800 metros, onde a temperatura mais baixa, a maior umidade e a menor incidência de luz direta fazem com que os grãos amadureçam lentamente. O que resulta em sabores mais elaborados, com notas que vão do frutado ao floral, além de acidez equilibrada e doçura natural.
Já o Canéfora/Robusta cresce em altitudes inferiores a 600 metros e apresenta características distintas: menos açúcar, corpo mais intenso e praticamente o dobro de cafeína em relação ao Arábica. Por essas razões, é amplamente utilizado na produção de cafés solúveis e em blends de espresso.

“O Arábica é um café com perfil de sabor mais delicado, muito utilizado em cafeterias especiais. Já o Robusta tende a ser mais forte e amargo, e é mais encontrado em cafés solúveis ou blends para espresso”, explica Stevens.
Café tradicional x café especial: o que muda na prática?
Os chamados cafés tradicionais, aqueles vendidos em supermercados em pacotes de 250g ou 500g, são misturas de diferentes tipos de grãos, que podem incluir tanto Arábica quanto Canéfora/Robusta, ou uma combinação dos dois. O problema, segundo o especialista, está na qualidade do que vai para o pacote.
“Esses produtos podem conter grãos verdes, defeituosos e outras impurezas. A torra excessiva e a moagem muito fina são estratégias usadas para mascarar esses defeitos. É por isso que não se encontra café tradicional em grãos no supermercado”, aponta Stevens.
Os cafés especiais seguem um caminho oposto. Para receber essa classificação, os grãos precisam atingir pontuação acima de 80 pontos em uma escala sensorial de até 100, avaliada por especialistas certificados. O resultado é uma bebida com sabores limpos, doçura natural e aroma marcante e com origem rastreável.
Por onde começar no mundo dos cafés especiais?
Para quem está dando os primeiros passos, a recomendação de Stevens é começar com um café de torra média. “Se você está acostumado com o café tradicional, que é mais amargo, comece com um especial de torra média, que apresenta notas achocolatadas e corpo mais denso. Aos poucos, vá explorando diferentes origens e métodos de preparo, como o coado, a prensa francesa ou o espresso”, sugere.
Para difundir essa cultura, o especialista tem realizado workshops sobre tipos de café em lojas do Café Cultura, com a primeira edição realizada na unidade flagship da rede, no bairro de Moema, em São Paulo.








