Episódio envolvendo Janja expõe regras rígidas e oportunidades no mercado de animais silvestres
Foto: Reprodução/@janjalula

A polêmica envolvendo a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) durante o almoço de Páscoa reacendeu um debate relevante para um nicho específico do agronegócio brasileiro: a criação legalizada de animais silvestres.

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O episódio, que envolveu o preparo de carne de paca, ultrapassou o campo das redes sociais e trouxe à tona questões sensíveis sobre legislação ambiental, rastreabilidade e comunicação no setor.

O estopim: “carne de caça” gera controvérsia

No domingo de Páscoa, Janja publicou um vídeo preparando o prato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A repercussão negativa começou após a primeira-dama se referir ao alimento como “carne de caça”.

A declaração foi criticada pela ativista Luisa Mell, que apontou que o termo pode incentivar práticas ilegais, já que a caça de animais silvestres é proibida no Brasil: “Qual o objetivo dessa porcaria, Janja? Qual o objetivo disso daqui? Você acha o que vai acontecer com esse seu post? Está incentivando, sim, a caça, está incentivando, sim, as pessoas a consumir animal silvestre.”

Diante da repercussão, Janja afirmou que a carne não era oriunda de caça, mas sim proveniente de um produtor autorizado pelo IBAMA.\

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Criação legal: um nicho promissor no agro

Para o agronegócio, o caso evidencia uma oportunidade pouco explorada: a criação de animais silvestres em cativeiro para fins comerciais.

Diferente da caça ilegal, essa atividade é regulamentada e pode atender mercados de alto valor agregado, como o da gastronomia sofisticada. Carnes consideradas exóticas, como a de paca, têm demanda crescente em restaurantes de nicho e consumidores premium.

No entanto, o setor exige rigor absoluto no cumprimento das normas ambientais.

O que diz a lei

A base legal para a atividade está na Lei 9.605/1998, que estabelece regras claras:

  • Caça proibida: capturar ou matar animais silvestres sem autorização é crime ambiental, com pena de detenção e multa.
  • Criação permitida: produtores autorizados podem criar e comercializar esses animais legalmente.
  • Rastreabilidade obrigatória: a origem do produto deve ser comprovada por certificação oficial, garantindo sua legalidade.

Esse conjunto de regras é o que diferencia um mercado legítimo de uma prática criminosa.

Pressão política e fiscalização

A repercussão também chegou ao meio político. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, solicitou ao Ministério do Meio Ambiente a apuração da origem da carne consumida.

O movimento reforça um alerta importante para o setor: produtos de origem silvestre estão sob alto nível de escrutínio, tanto social quanto institucional.

Comunicação e transparência viram ativos estratégicos

Mesmo quando a atividade é legal, falhas na comunicação podem gerar crises de imagem com impacto direto no produtor.

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O uso inadequado de termos, como “carne de caça”, pode confundir o público e associar práticas legais a atividades ilegais. Nesse cenário, a transparência e a rastreabilidade deixam de ser apenas exigências legais e passam a ser ativos estratégicos.

O que o produtor precisa levar em conta

O mercado de carnes silvestres pode ser altamente rentável, mas exige profissionalização. Documentação em dia, certificações válidas e clareza na comunicação são essenciais para proteger o negócio.

O caso Janja evidencia que, no atual ambiente, não basta estar dentro da lei, é preciso também saber comunicar isso ao mercado.