Resumo da notícia
- O rinoceronte-branco-do-norte está à beira da extinção com apenas duas fêmeas vivas e sem machos, levando cientistas a apostar na fertilização in vitro para salvar a subespécie.
- Óvulos das fêmeas são fertilizados com esperma preservado em laboratório, e embriões viáveis são implantados em rinocerontes-brancos-do-sul que atuam como barrigas de aluguel.
- Apesar dos avanços, o processo é complexo, arriscado e caro, envolvendo desafios técnicos, éticos e financeiros para garantir a sobrevivência da espécie.
Com apenas duas fêmeas vivas no mundo, o rinoceronte-branco-do-norte entrou em uma corrida contra o tempo para não desaparecer de vez. Sem machos da subespécie vivos e sem possibilidade de reprodução natural, cientistas passaram a apostar em uma alternativa de alta complexidade: criar embriões em laboratório.
Considerado um dos casos mais críticos da conservação animal, o projeto tenta evitar a extinção definitiva da espécie usando fertilização in vitro. As duas últimas fêmeas, Najin e Fatu, vivem sob proteção constante no Quênia e não conseguem gerar filhotes naturalmente.
Como funciona a técnica?
Os pesquisadores coletam óvulos das fêmeas remanescentes e realizam a fertilização em laboratório com esperma de machos já mortos, preservado em bancos genéticos. Até agora, dezenas de embriões considerados viáveis já foram produzidos.
- Quantos tipos de limão existem no Brasil?
- JBS registra lucro de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026
A próxima etapa é ainda mais delicada: implantar esses embriões em fêmeas de rinoceronte-branco-do-sul, que funcionarão como barrigas de aluguel. A estratégia tenta contornar a impossibilidade de gestação das últimas representantes da subespécie.
Os primeiros testes já mostraram que o procedimento pode funcionar. Em uma das tentativas, um embrião conseguiu se desenvolver por cerca de 70 dias após a implantação. A gestação, no entanto, foi interrompida depois que a fêmea hospedeira morreu por complicações de saúde.
Mesmo assim, os cientistas consideraram o experimento um avanço importante, já que ele comprovou que a gestação é biologicamente possível.
Apesar do otimismo, o processo ainda envolve muitos desafios. A gravidez de um rinoceronte dura cerca de 16 meses, e cada tentativa apresenta riscos elevados tanto para o embrião quanto para a fêmea substituta.
Além das dificuldades técnicas, o projeto também levanta debates éticos e financeiros. Isso porque a reprodução assistida exige investimentos milionários e mobiliza equipes internacionais, o que reacende discussões sobre o custo e os limites da conservação de espécies ameaçadas.