Resumo da notícia
- Gana acumula 50 mil toneladas de cacau não vendido devido à queda da demanda global e preços internacionais em queda, afetando diretamente a cadeia produtiva e os agricultores locais.
- O preço interno do cacau em Gana está acima do valor internacional, tornando inviável a compra pelos comerciantes e deixando produtores sem pagamento desde novembro.
- Empresas compradoras solicitam recursos emergenciais ao governo para evitar o colapso da indústria, enquanto mais de 800 mil famílias dependem do setor para sua sobrevivência.
Gana, o segundo maior produtor mundial de cacau, acumula cerca de 50 mil toneladas do produto não comercializadas em seus portos. A informação foi confirmada pelo Cocobod, órgão regulador do setor, que negocia com agricultores e com o Ministério das Finanças medidas para evitar maiores prejuízos à cadeia produtiva.
Assim como a Costa do Marfim, líder global da commodity, Gana sofre os efeitos da forte retração na demanda internacional. A queda nas compras externas derrubou os preços globais do cacau (CCc1) pela metade em um ano, levando a cotação ao menor nível em dois anos, cerca de US$ 4.000 por tonelada.
O preço interno pago ao produtor ganês, definido anualmente pelo Cocobod, está fixado em 58 mil cedis por tonelada (aproximadamente US$ 5.300). O valor está acima das cotações internacionais, o que torna a compra do produto inviável para os comerciantes e interrompeu as aquisições no país. A paralisação deixou diversos agricultores sem pagamento.
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“Estamos tendo discussões muito sérias. É uma questão que o governo leva extremamente a sério, e queremos resolver os problemas o mais rápido possível”, afirmou o diretor-executivo da Cocobod, Ransford Abbey.
Produção
Até o momento, o país colheu pouco menos de 585 mil toneladas de cacau e comercializou cerca de 530 mil, deixando 50 mil toneladas sem destino. A projeção para a safra total desta temporada é de 650 mil toneladas, segundo a Cocobod.
As Empresas Compradoras Licenciadas de Gana (LBCs) pediram ao governo, por meio da Cocobod, recursos de emergência para cobrir cerca de 300 mil toneladas de cacau. O grupo alerta que o apoio é essencial para “evitar um colapso mais profundo da indústria”.
As LBCs afirmam que muitos produtores estão sem receber desde novembro. Parte do cacau armazenado pelos agricultores está guardada em sacos de fertilizantes, situação que ameaça a qualidade do grão. Ele perde valor após seis a doze meses em condições de calor e umidade.
Mais de 800 mil famílias dependem do cacau para sobreviver em Gana. O cultivo responde por cerca de 15% das receitas de exportação do país. Segundo cálculos da Reuters, o governo precisaria de aproximadamente US$ 200 milhões para adquirir o cacau acumulado aos preços internacionais.