Resumo da notícia
- A Binatural investe na cadeia produtiva do baru em parceria com a Copabase, construindo um galpão em Arinos (MG) que otimiza armazenamento, reduz custos e viabiliza expansão da produção familiar.
- A casca do baru, antes resíduo, agora é usada como biomassa para gerar energia na usina da Binatural em Formosa (GO), criando nova fonte de renda e promovendo o aproveitamento integral do fruto.
- O projeto integra inclusão social e eficiência industrial, ampliando mercados para agricultores familiares e fortalecendo a bioeconomia regional, alinhado ao Selo Biocombustível Social e à diversificação de fornecedores.
A Binatural, empresa especializada em biodiesel, está construindo um modelo de negócio que une eficiência industrial e agricultura familiar. E o baru do Cerrado virou o centro dessa estratégia. Em parceria com a Cooperativa Agroextrativista de Base Familiar do Noroeste de Minas Gerais (Copabase), a companhia financiou a construção de um galpão de armazenagem no município de Arinos (MG). Assim, resolvendo um gargalo histórico da cooperativa. E abrindo caminho para que o fruto nativo ganhe escala, entre em mercados mais exigentes e até chegue à exportação.

Até a conclusão da obra, a Copabase operava com espaços alugados para guardar a produção. Uma limitação que elevava custos e travava o crescimento. Com a nova estrutura, a cooperativa passa a organizar melhor o fluxo produtivo, reduzir despesas operacionais e criar condições para avançar no beneficiamento e na agregação de valor ao baru.
Fruto nativo com dois destinos: mesa e caldeira
O projeto vai além da armazenagem. A casca do baru, antes tratada como resíduo, agora alimenta as caldeiras da usina da Binatural em Formosa (GO), a cerca de 200 km de Arinos. Essa aplicação como biomassa energética transforma um subproduto em insumo industrial e gera uma nova fonte de renda para os agricultores familiares da região. O aproveitamento integral do fruto, da amêndoa alimentícia à casca energética, é um dos pilares da lógica de bioeconomia que a empresa quer consolidar no Cerrado.
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A proximidade geográfica entre a cooperativa e a unidade industrial reforça a viabilidade econômica da operação. Menos distância significa menos custo de transporte e mais competitividade para toda a cadeia.
Inclusão produtiva como estratégia, não como discurso
A iniciativa se enquadra no Selo Biocombustível Social, instrumento de política pública que incentiva a inclusão de agricultores familiares nas cadeias de biocombustíveis. Para a Binatural, porém, o modelo vai além do cumprimento de um requisito regulatório. A empresa vem expandindo parcerias com cooperativas em diferentes regiões e biomas, com o objetivo de diversificar origens de fornecimento e reduzir riscos de concentração.
“Acreditamos em um modelo de desenvolvimento que combina eficiência produtiva com inclusão econômica. Ao fomentar a estruturação de cadeias como a do baru, fortalecemos não apenas a operação, mas todo o ecossistema produtivo ao redor dela”, afirma André Lavor, CEO e cofundador da Binatural.

Foto: Divulgação
Do lado da cooperativa, a avaliação é igualmente positiva. “O baru ainda é um produto em consolidação, mas com alto potencial. A estruturação da cadeia produtiva e o fortalecimento das parcerias têm sido fundamentais para ampliar nossa competitividade. E abrir novos mercados”, diz Dionete Figueiredo, diretora executiva da Copabase.
Um modelo que aponta tendência
O projeto entre Binatural e Copabase reflete um movimento mais amplo no agronegócio e no setor de biocombustíveis. Grandes empresas passam a enxergar cooperativas da agricultura familiar não como fornecedoras periféricas, mas como parceiras estratégicas para garantir previsibilidade, escala e sustentabilidade nas cadeias produtivas.
Em um cenário global de pressão crescente por segurança energética e alimentar, iniciativas que valorizam recursos locais, reduzem emissões e geram renda em regiões estratégicas ganham relevância. E o Cerrado, com sua biodiversidade e potencial produtivo, está no centro dessa equação.