Finura, rendimento ao lavado, coloração e comprimento de mechas formam o preço e orientam o produtor
Concurso de Velos - Foto: Stéphany Franco AgroEffective/ Divulgação.

O Concurso de Velos, na pista de ovinos da 49ª Expointer, em Esteio (RS), mostrou características da que mudam o preço pago ao produtor. Segundo Sérgio Muñoz, do programa Lã Certificada, o valor final depende da finura (micronagem) e do rendimento ao lavado. O ideal: 800 g de lã lavada para cada 1 kg, ou 80% de rendimento.

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Além disso, entram na conta a coloração, o comprimento das mechas (tamanho dos blocos de fios entre uma tosquia e outra, ligado à raça e ao tempo de crescimento do velo) e a quantidade de velos A, de alta qualidade. Referências da Arco indicam cerca de US$ 10/kg para lã de 18 micra e US$ 2,40/kg para lã de 31 micra.

Destino industrial e subprodutos

A destinação industrial varia conforme a finura. Lãs mais finas vão para a alta costura e pagam mais. As mais grossas seguem para casacos pesados, cobertores e tapetes.

Há ainda subprodutos em filtros automotivos, rolos de pintura e até cosméticos, a partir do lubrificante da lã.

RS concentra produção e mercado define preço

O Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil. O programa Lã Certificada já acumulou quase 600 mil kg em quatro safras. Quem define o preço é o mercado internacional, em especial o australiano. No Brasil, 95% da produção vai para o Uruguai, que paga melhor. Segundo Muñoz, a variação entre lã certificada e não certificada fica entre 30% e 100%.

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Na tarde desta terça-feira, os jurados avaliaram nove Merinos Australianos e sete Corriedales. A equipe usou o método Tally-Hi, técnica australiana que prioriza bem-estar animal, qualidade da lã e ergonomia do esquilador. Depois, os avaliadores examinam a lã em mesa. Eles olham coloração, resistência, finura e peso. Em seguida, geram um valor comercial, pesam o material e inserem os números em planilha.

Raquel Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Merino Australiano (ABCMA), elogiou as boas finuras de velo. “É uma lã de excelência, muito procurada pelo mercado e a indústria, incluindo as malharias do Sul”, disse.

Os troféus de campeões macho e fêmea da raça Merino Australiano ficaram com a cabanha Santa Camila, de Alegrete (RS), de Manoel Francisco Zirbes Rodrigues. O macho (Camila 3855) teve peso de velo de 9,9 kg; a fêmea (Camila 4494), 10,4 kg. “O segredo do sucesso é investimento em genética e muito trabalho”, diz ele.