Resumo da notícia
- Fungos nativos da Caatinga resistiram a até 40°C e reduziram em mais de 70% o crescimento de patógenos agrícolas, mostrando potencial para combater doenças em culturas como melão.
- Isolados de Trichoderma coletados em áreas irrigadas toleraram melhor o calor, sugerindo adaptação ao clima semiárido e viabilidade para uso em regiões quentes e secas.
- Embora alguns fungos apresentem alta eficiência no controle de doenças, a produção limitada de esporos pode dificultar a fabricação de biofungicidas em larga escala.
Fungos nativos da Caatinga resistiram a temperaturas de até 40°C e reduziram em mais de 70% o crescimento de patógenos agrícolas em testes de laboratório. A pesquisa analisou 14 isolados de cinco espécies de Trichoderma coletados na Bahia e no Piauí.

Os pesquisadores retiraram as amostras de áreas de vegetação nativa e de lavouras irrigadas de melão. Além da resistência ao calor, eles avaliaram a capacidade de combater doenças e produzir esporos para a fabricação de biofungicidas.
Resistência ao calor
Os isolados das áreas cultivadas toleraram melhor o calor do que os coletados na vegetação nativa. Nos testes, os fungos cresceram de forma semelhante a 25°C e 30°C, mas apresentaram diferenças a partir de 35°C.
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Os pesquisadores relacionam essa resistência à adaptação dos microrganismos ao ambiente quente e irrigado do semiárido. Essa característica pode favorecer o uso desses fungos em regiões com altas temperaturas e períodos de seca.
Ação contra doenças
Os fungos do gênero Trichoderma controlam doenças ao disputar nutrientes e espaço com outros organismos. Eles também podem parasitar fungos causadores de doenças e liberar compostos que impedem seu desenvolvimento.
Os testes avaliaram a ação contra Fusarium sulawesiense, Fusarium solani, Macrophomina phaseolina, Rhizoctonia solani e Pythium myriotylum. Esses organismos provocam problemas como podridão das raízes e murcha em culturas agrícolas.

Em alguns experimentos, os compostos voláteis dos fungos reduziram em mais de 70% o crescimento dos patógenos. O isolado de Trichoderma koningiopsis apresentou o resultado mais consistente entre os microrganismos avaliados.
O confronto direto funcionou melhor contra Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina. Já os compostos voláteis tiveram maior efeito contra espécies de Fusarium e Pythium.
Produção limita uso comercial
Para medir a capacidade de produção, os pesquisadores cultivaram os fungos em arroz parboilizado. Após dez dias, isolados de Trichoderma asperelloides e Trichoderma asperellum produziram mais de 1,4 bilhão de conídios por grama de substrato.
Entretanto, alguns fungos eficientes contra as doenças produziram poucos esporos. Por isso, o melhor desempenho no controle de patógenos não garante, sozinho, viabilidade para fabricar biofungicidas em larga escala.
Testes ainda são necessários
A pesquisa identificou as espécies Trichoderma asperellum, T. asperelloides, T. koningiopsis, T. virens e T. spirale. Os resultados indicam que a biodiversidade do bioma pode fornecer microrganismos adaptados ao calor e à escassez de água.
Ainda assim, os fungos não estão prontos para uso comercial. Os pesquisadores precisam realizar testes em campo, verificar se os microrganismos conseguem colonizar plantas de melão e avaliar possíveis efeitos sobre o crescimento e a produtividade.
O grupo também pretende estudar combinações entre diferentes espécies ou isolados de Trichoderma. A estratégia pode ampliar o controle de doenças e ajudar as plantas a enfrentar o estresse térmico e hídrico.