A cervejaria trocou o carvalho por espécies nacionais para desenvolver novos perfis de aroma e sabor na bebida
Fermentação da cerveja
Imagem de StockSnap por Pixabay

A cerveja Terminus 2026, produzida em Campinas (SP), conquistou medalha de ouro no World Beer Cup 2026, nos Estados Unidos, na categoria Wood-and-Barrel-Aged Strong Beer. Para chegar ao resultado, a cervejaria maturou a bebida em barril de castanheira, uma das espécies brasileiras testadas no projeto.

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A premiação, portanto, colocou em evidência o uso de madeiras nacionais na maturação de cervejas artesanais. Além da castanheira, produtores testam espécies como bálsamo, cumaru e amburana para identificar como cada uma modifica as características da bebida.

Como a madeira altera a cerveja

Durante a maturação, a cerveja permanece por um longo período em contato com a madeira. Nesse intervalo, a bebida absorve compostos do material, que podem modificar aroma, sabor, textura e percepção de taninos. No entanto, o resultado depende de vários fatores, como a espécie escolhida, o tempo de contato, o teor alcoólico, a receita e as condições do barril.

A amburana, por exemplo, pode acrescentar aromas associados a especiarias e notas adocicadas. Já o bálsamo apresenta características herbais e resinosas, enquanto a castanheira pode contribuir para notas de frutos secos e dulçor em cervejas mais maltadas.

Projeto substituiu o carvalho

O Projeto Terminus reúne cervejas de diferentes safras e acompanha a influência da madeira durante longos períodos de maturação. Até 2023, o projeto utilizava barris de carvalho americano. Em 2024, porém, começaram os testes com um blend de castanheira, bálsamo e cumaru.

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A partir daí, as espécies nacionais passaram a substituir o carvalho nas safras seguintes. A Terminus 2025 recebeu maturação em bálsamo, enquanto a edição de 2026 utilizou castanheira e conquistou o ouro no World Beer Cup.

Para Wagner Falci, cervejeiro responsável pelo projeto, o objetivo é compreender o efeito de cada espécie na bebida. “A ideia é entender o que cada madeira pode fazer pela cerveja e construir uma identidade própria”, afirma. Além disso, a comparação entre safras mostrou diferenças no resultado. No 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado em Blumenau, a Terminus 2025 recebeu medalha de prata, enquanto a edição de 2026 conquistou ouro na mesma categoria.

Biodiversidade ganha espaço na cerveja artesanal

O uso de madeiras brasileiras ainda é pontual no mercado cervejeiro. Mesmo assim, a prática amplia as possibilidades de experimentação com espécies nacionais. Assim, ao substituir referências tradicionais, como o carvalho, os produtores buscam criar novos perfis sensoriais e dar características próprias às cervejas de longa maturação.

A experiência também aproxima a produção artesanal da biodiversidade brasileira. Dessa forma, espécies nacionais passam a integrar uma cadeia de maior valor agregado por meio de uma bebida produzida em pequena escala.