Com área plantada em alta e novos híbridos adaptados, a oleaginosa se firma como opção de rotação e fonte de renda no inverno
Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi

O cultivo de canola vem conquistando espaço no Brasil e se destaca como uma opção rentável de diversificação agrícola. A oleaginosa, tradicional em países de clima temperado, mostra excelente adaptação ao Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as condições climáticas favorecem o plantio na entressafra de soja e milho.

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Atualmente, o estado concentra cerca de 90% da área nacional, com semeadura entre março e maio. Segundo José Geraldo Mendes, engenheiro agrônomo e responsável pela área de supply chain da Advanta Seeds, o crescimento da cultura vai além do retorno financeiro. “A canola contribui para a rotação de culturas, melhora a estrutura do solo e reduz pragas e doenças, agregando valor ao sistema produtivo”, explica.

Expansão acelerada e novas fronteiras

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área plantada com canola atingiu 211,8 mil hectares em 2025, alta de 43% em relação ao ano anterior. A produção também cresceu: o país colheu cerca de 195 mil toneladas em 2025, com expectativa de 300 mil toneladas em 2026.

Mendes projeta que a área cultivada deve ultrapassar os 300 mil hectares na safra 2026, acompanhando o aumento da demanda. Além do Sul, novas iniciativas despontam em regiões como o entorno de Brasília, que apresenta solos e altitude favoráveis à cultura.

Mercado aquecido e demanda por biocombustíveis

O mercado de canola ganha força com o aumento do consumo global de seus derivados. O óleo de canola, reconhecido pelo baixo teor de gordura saturada, cresce na alimentação humana e na indústria de biodiesel. O farelo, rico em proteína, é cada vez mais utilizado na nutrição animal.

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O avanço dos biocombustíveis e do combustível sustentável de aviação (SAF) tende a elevar ainda mais a demanda. “Se o uso do óleo de canola em SAF se confirmar, veremos mais liquidez e incentivo ao plantio”, afirma Mendes.

Investimento em genética e tropicalização

Para sustentar o crescimento, o setor investe no fortalecimento da cadeia produtiva, ampliando o acesso a sementes de qualidade e tecnologia. A Advanta Seeds lidera pesquisas para adaptar materiais genéticos ao clima tropical, por meio de programas de tropicalização da canola.

“Já contamos com híbridos desenvolvidos na Austrália que se adaptaram bem às condições brasileiras. Além disso, iniciamos a produção nacional de sementes, o que abre caminho para o Brasil se tornar polo exportador para países como Paraguai, Uruguai e África do Sul”, destaca o engenheiro agrônomo.