Celebrada em 31 de agosto, a data reúne avanços da genética suína, dicas de chefs e curiosidades sobre um dos ingredientes mais versáteis da cozinha
tiras de bacon
Foto: Divulgação Topigs Norsvin

Celebrado em 31 de agosto, o Dia do Bacon evidencia a trajetória de um dos ingredientes mais versáteis da cozinha brasileira. Por trás da fatia crocante que chega à mesa, existe um longo caminho que passa pela genética suína, por técnicas de preparo desenvolvidas por chefs especializados e por uma comunidade que celebra o produto com iniciativas próprias. Quatro frentes distintas, ciência, gastronomia, doçaria e cultura, ajudam a entender por que o bacon ganhou tanto espaço no país.

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Foto: Divulgação/Fazenda Churrascada

No passado, a suinocultura priorizava a produção de banha. A mudança nos hábitos alimentares da população, no entanto, exigiu que o setor se adaptasse à demanda por cortes mais magros sem abrir mão do sabor. O melhoramento genético assumiu esse papel e passou a equilibrar a proporção entre carne e gordura em cada animal.

Seleção genética

Hoje, a seleção genética avalia características milimétricas, como a espessura do toucinho, a profundidade do lombo e o marmoreio da carne. Esses parâmetros garantem atributos valorizados pela gastronomia, como maciez e suculência, e atendem à padronização exigida pela indústria de alimentos. O trabalho também reduz a concentração de ácidos graxos saturados na gordura, o que torna o produto mais saudável para o consumo.

“Nosso programa de melhoramento passou a incorporar objetivos de seleção capazes de direcionar a conformação dos animais exatamente para as tendências de mercado. Avaliamos índices específicos, como as perdas por gotejamento e o índice de iodo, que nos permitem entregar alto rendimento”, explica Mariana Piatto Berton, gerente de Genética Latam da Topigs Norsvin.

Mariana Piatto Berton é gerente de Genética Latam da Topigs Norsvin
Topigs Norsvin. Foto: Divulgação

Além disso, os ganhos também aparecem na granja. Animais com genética moderna convertem os nutrientes da ração com mais eficiência, o que reduz o desperdício, diminui o impacto ambiental da atividade e preserva a margem de lucro do produtor. “Unimos genética, eficiência e sustentabilidade para produzir mais, com qualidade superior e menor impacto ao meio ambiente, atendendo de ponta a ponta as necessidades do produtor, da indústria e do consumidor”, completa Mariana.

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O preparo correto define o resultado final

A ciência garante a matéria-prima, mas o resultado à mesa depende diretamente da técnica de preparo. Para a chef Paula Labaki, consultora e idealizadora do cardápio da Fazenda Churrascada, um bom bacon começa muito antes da frigideira: a qualidade da carne, o processo de cura, a proporção entre carne e gordura e a defumação determinam o sabor e a textura final do ingrediente.

Com mais de 25 anos de experiência com carnes, charcutaria e técnicas de defumação, Paula aponta o equilíbrio como o primeiro segredo. A cura precisa reunir a quantidade adequada de sal, temperos e especiarias, enquanto a proporção entre carne e gordura deve entregar sabor e suculência sem deixar o produto excessivamente gorduroso ou seco.

A defumação funciona como um ingrediente à parte, capaz de transformar completamente o resultado. A escolha da madeira também interfere nas características finais do bacon. “A defumação é um ingrediente no bacon, então a fumaça é um ingrediente dentro do bacon. Se não tiver uma boa defumação, não é um bom bacon”, afirma a chef.

A forma de levar o bacon ao fogo também importa. O forno favorece uma textura mais crocante, enquanto a frigideira permite acompanhar o processo e controlar a quantidade de gordura liberada. Gordura que, segundo Paula, não precisa ser descartada e pode agregar sabor a outras preparações.

Combinações doces ampliam o uso do ingrediente

Presente com frequência em hambúrgueres, sanduíches e acompanhamentos, o bacon também cria contrastes interessantes quando encontra sabores doces. A combinação com chocolate surpreende à primeira vista, mas funciona justamente pelo contraste entre o salgado defumado e o dulçor do cacau. Entre as sugestões da chef Paula Labaki estão um cookie de chocolate com bacon e uma mousse de chocolate finalizada com bacon crocante triturado, que pode virar uma espécie de pó. O ingrediente também ganha espaço em drinks, acrescentando notas salgadas e defumadas às bebidas.

Bacon no chocolate. Divulgação/Fazenda Churrascada

Uma opção prática para explorar essa combinação em casa é o caramelo de bacon, receita divulgada pela Kikkoman e que rende seis porções em cerca de 30 minutos de preparo. A base leva 300g de bacon em cubos dourados na frigideira, açúcar cozido até dourar, manteiga, creme de leite adicionado aos poucos e shoyu, finalizados com os pedaços de bacon reservados. O resultado combina bem com sorvete ou bolo de chocolate meio amargo e pode ser armazenado por até 15 dias em pote de vidro esterilizado.

Caramelo com bacon. Foto: Divulgação

“Portanto, eu gosto de trabalhar o bacon como um ingrediente que pode transformar uma preparação. Ele não precisa necessariamente ser o protagonista. Muitas vezes, é aquele elemento que entra para trazer sabor, textura e um contraste diferente”, explica Paula.

Concurso fotográfico celebra o bem-estar animal na cadeia produtiva

A data também mobiliza quem trabalha diretamente na cadeia suinícola. A Vetanco, laboratório internacional de saúde animal, anunciou a vencedora da terceira edição do Concurso Fotográfico Bacon Lovers, com o tema “Bem-estar animal em cada clique”. Fabiana Knaut Santos, de Caibi (SC), conquistou o primeiro lugar e recebeu um iPhone 17.

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Foto de Fabiana Knaut Santos, de Caibi (SC), foi a grande vencedora. Foto: Divulgação

A edição bateu recorde de participação: foram 1.814 fotografias inscritas em um mês, número três vezes superior às 593 imagens recebidas na edição anterior e muito acima das 271 inscrições registradas em 2024, ano de estreia do concurso. Além da qualidade técnica, a avaliação considerou aspectos de bem-estar animal, biosseguridade e boas práticas de produção, com participação de uma equipe técnica da Vetanco e de uma fotógrafa profissional.

“Este ano, a proposta foi mostrar, por meio da fotografia, como o bem-estar animal fazia parte da rotina da suinocultura. Quisemos incentivar registros autênticos que valorizassem o trabalho realizado nas granjas e evidenciassem o cuidado com os animais”, diz Thaiza Ribeiro, coordenadora de território da Vetanco.

Vencedora

Técnica em agropecuária e médica-veterinária formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabiana atua atualmente como controladora agropecuária em granjas da JBS, em Caibi (SC). Ela registrou a foto vencedora durante a graduação, no Laboratório de Saúde Suína (LABSUI), onde participou por quatro anos do Programa de Voluntariado Acadêmico (PVA). A imagem mostra o focinho de um leitão recém-alimentado e tranquilo. “Para mim, a imagem representa muito mais (do que um close). O leitão estava bem alimentado, tranquilo e descansando (…). Para mim, o bem-estar animal está justamente nesses pequenos sinais”, relata a vencedora.

Bruna Dalla Nora, de Tunápolis (SC). Foto: Divulgação Vetanco

Outras nove participantes chegaram à final: Bruna Dalla Nora (Tunápolis/SC), Elisa Camara (Brasilândia/MS), Jéssica Juliane Sulzbach e Andréia Horst (Marechal Cândido Rondon/PR), João Bosco de Morais (São José da Barra/MG), Júlia Andréa (Seropédica/RJ), Manuela Perosa (Nova Araçá/RS), Natalha Biondo (Seara/SC), Pâmela Rosana Schneider (Marechal Cândido Rondon/PR) e Sara Raquel do Nascimento (Anchieta/SC). Todas receberam um kit da campanha Bacon Lovers, criada para incentivar o consumo de carne suína e valorizar os diferentes elos da cadeia produtiva.

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“Portanto, para a Vetanco, o Bacon Lovers vai além de um concurso fotográfico. A iniciativa faz parte de um movimento que valoriza a suinocultura e as pessoas que fazem esse setor acontecer. Além de reforçar um compromisso que está no DNA da Vetanco: o bem-estar animal”, finaliza Leila Fachinetto, social media da Vetanco.