Resumo da notícia
- Pesquisa da Embrapa destaca que microrganismos solubilizadores aumentam a disponibilidade de fósforo no solo, melhorando a eficiência nutricional e a produtividade das culturas em solos tropicais brasileiros.
- Testes indicam que o uso desses inoculantes pode elevar a produção agrícola, com ganhos superiores a 13 sacas por hectare no milho e até 15% de aumento na produtividade da cana-de-açúcar.
- O desenvolvimento de inoculantes nacionais contribui para reduzir a dependência do fósforo importado pelo Brasil, promovendo maior sustentabilidade e eficiência no uso de fertilizantes no campo.
A baixa eficiência do fósforo nos solos tropicais coloca o nutriente no centro das discussões técnicas no campo e abre espaço para o avanço de soluções biológicas. O tema será destaque no Summit de Nutrição Vegetal Inteligente, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo), nos dias 9 e 10 de junho, em Piracicaba (SP).

No dia 9, às 10h, a pesquisadora da Embrapa, Christiane Abreu de Oliveira Paiva, apresentará a palestra “Inoculantes para fósforo: solubilizadores de fosfato e promotores de crescimento vegetal”. A especialista abordará como microrganismos podem aumentar a disponibilidade do fósforo no solo e melhorar a eficiência nutricional das culturas.
Nos solos tropicais brasileiros, altamente intemperizados, o fósforo enfrenta forte fixação pelas partículas de argila. Mesmo após a adubação, grande parte do nutriente torna-se indisponível para as plantas. Segundo Christiane, apenas cerca de 20% do fósforo aplicado via fertilizantes é efetivamente absorvido.
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Nesse contexto, microrganismos solubilizadores desempenham papel estratégico. Eles atuam diretamente na rizosfera, liberando fósforo por meio da produção de ácidos orgânicos e enzimas, o que amplia o acesso das plantas ao nutriente.
A pesquisadora também destacará resultados de uma linha de pesquisa conduzida ao longo de duas décadas, que resultou no desenvolvimento do primeiro inoculante brasileiro voltado à solubilização biológica de fósforo, lançado em 2019. Testes em diferentes regiões agrícolas do país indicam ganhos relevantes de produtividade.
Produtividade elevada
De acordo com os ensaios, o uso da tecnologia pode elevar a produção em mais de 13 sacas por hectare no milho, entre quatro e cinco sacas na soja e acima de 15% na cana-de-açúcar, além de melhorar a absorção e o acúmulo de fósforo pelas plantas.
O debate também envolve a dependência externa do insumo. Atualmente, o Brasil importa mais de 80% do fósforo utilizado na agricultura, o que expõe o setor a oscilações logísticas e geopolíticas. Nesse cenário, os inoculantes surgem como alternativa para aumentar a eficiência do fertilizante aplicado e reduzir perdas no sistema produtivo.
O mercado de soluções biológicas para fósforo já registra expansão, com mais de uma dezena de tecnologias disponíveis. Produtos desenvolvidos no Brasil começam a ganhar espaço internacional, com presença em mercados da Europa, Américas e África.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que os inoculantes não substituem a adubação convencional. O melhor desempenho ocorre quando o produtor adota manejo integrado, combinando o uso de biológicos com práticas como adubação equilibrada, plantio direto e incremento da matéria orgânica do solo.
Para o presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, Roberto Levrero, o tema reflete um desafio estrutural da agricultura brasileira. Segundo ele, tecnologias biológicas contribuem para melhorar o aproveitamento do fósforo, desde que aplicadas de forma integrada ao sistema produtivo.








