A calibração correta do pulverizador reduz desperdícios, melhora a cobertura da aplicação e pode gerar economia ao longo de toda a safra
Homem utilizando pulverizador agrícola
Foto: Embrapa/Flavio Martins Santana

A eficiência de uma pulverização não depende apenas do produto utilizado. O desempenho do equipamento também pesa, e muito, no resultado final. Um pulverizador agrícola desregulado pode provocar falhas na cobertura das plantas, aumentar o desperdício de defensivos e comprometer o controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

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É justamente por isso que a calibração faz parte da rotina das propriedades mais tecnificadas. O procedimento ajusta o equipamento para que ele aplique a quantidade de calda prevista pelo agrônomo, com uniformidade e dentro das condições recomendadas para cada cultura.

Embora muitos produtores associem a calibração a equipamentos sofisticados, ela também é indispensável em pulverizadores costais e máquinas de menor porte.

O que significa calibrar um pulverizador?

Calibrar um pulverizador é ajustar todos os componentes responsáveis pela aplicação para que o volume distribuído na lavoura corresponda ao planejado.

Na prática, isso envolve verificar a vazão dos bicos, regular a pressão de trabalho, conferir a velocidade de deslocamento da máquina e observar a altura correta da barra de pulverização.

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Quando um desses fatores está fora do padrão, a aplicação perde eficiência. Em alguns pontos da área, o produto pode ser aplicado em excesso. Em outros, a cobertura pode não ser suficiente para controlar o problema.

Por que a calibração é importante?

Uma regulagem adequada reduz desperdícios e melhora o aproveitamento dos defensivos agrícolas, que representam uma parcela significativa do custo de produção.

Além da economia, a calibração ajuda a diminuir riscos de deriva, evita sobreposição de aplicações e contribui para uma cobertura mais uniforme das plantas.

O resultado costuma aparecer não apenas na qualidade do manejo, mas também no bolso do produtor.

Quando fazer a calibração?

A recomendação é nunca iniciar uma pulverização sem conferir o equipamento.

Sempre que houver troca de bicos, alteração na pressão de trabalho, mudança de velocidade, substituição da bomba ou manutenção no sistema hidráulico, uma nova calibração deve ser realizada.

Também vale repetir o procedimento quando o pulverizador permanecer parado por longos períodos ou antes do início de uma nova safra.

O que deve ser conferido antes da aplicação?

Homem trabalhando com pulverizador agrícola
Foto: Embrapa/Ronaldo Rosa

Antes de levar a máquina para o campo, alguns itens merecem atenção especial.

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Verifique se existem bicos desgastados ou entupidos, observe possíveis vazamentos em mangueiras e conexões, confira a limpeza dos filtros e certifique-se de que a pressão indicada no manômetro corresponde à regulagem prevista para o trabalho.

Também é importante avaliar o estado da barra de pulverização. Barras desniveladas ou com folgas podem comprometer a distribuição da calda.

O clima também interfere na pulverização

Mesmo um equipamento perfeitamente regulado pode apresentar baixo desempenho quando as condições climáticas não são favoráveis.

Ventos fortes aumentam o risco de deriva. Temperaturas elevadas aceleram a evaporação das gotas. Já a baixa umidade reduz a eficiência da aplicação.

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Por isso, técnicos costumam recomendar que a pulverização seja realizada nos horários mais amenos do dia, sempre respeitando as orientações técnicas para cada cultura.

Os erros mais comuns durante a calibração

Pulverizador agrícola em ação em plnatação de pêssegos
Foto: Embrapa/Paulo Lanzetta

Algumas falhas aparecem com frequência no campo e acabam reduzindo a eficiência da operação.

Uma delas é utilizar bicos com desgaste acima do recomendado. Como a vazão aumenta ao longo do tempo, o equipamento passa a aplicar mais produto do que o previsto, elevando o custo da operação.

Outro erro recorrente é aumentar a velocidade da máquina para ganhar produtividade sem corrigir os demais parâmetros da pulverização. A consequência costuma ser uma cobertura irregular das plantas.

Também é comum encontrar produtores que deixam de conferir a pressão de trabalho ou utilizam bicos diferentes na mesma barra, situação que compromete a uniformidade da aplicação.

A tecnologia facilita o processo

Os pulverizadores mais modernos contam com recursos que simplificam a calibração.

Controladores eletrônicos ajustam automaticamente a vazão durante o deslocamento da máquina. Sensores monitoram a altura da barra em tempo real e sistemas de agricultura de precisão registram todas as informações da operação.

Mesmo assim, esses equipamentos continuam dependendo de inspeções periódicas e manutenção preventiva para entregar o desempenho esperado.

Calibrar custa pouco e pode evitar grandes prejuízos

Em muitas propriedades, a calibração leva menos de uma hora. Ainda assim, o procedimento costuma ser um dos que oferecem maior retorno ao produtor.

Uma aplicação bem regulada reduz desperdícios, melhora o controle fitossanitário e aumenta a eficiência dos produtos utilizados na lavoura.

No fim da safra, essa diferença pode representar economia de insumos, menor necessidade de reaplicações e uma produção mais eficiente.