Resumo da notícia
- Ibama e Fundação Florestal de SP usam drones para mapear e erradicar o mangue-maçã em manguezais de Cubatão, que ameaça o ecossistema local com crescimento agressivo e alta dispersão.
- O mangue-maçã, originário do Sudeste Asiático, pode atingir até 20 metros e prejudicar espécies nativas, afetando a reprodução de peixes e crustáceos e impactando 400 mil pescadores.
- Desde março de 2024, o Ibama monitora a espécie e já identificou mais de 250 exemplares, adotando ações rápidas para conter a invasão e proteger os manguezais da Baixada Santista.
O Ibama e a Fundação Florestal de São Paulo intensificaram as ações para erradicar o mangue-maçã (Sonneratia apetala) dos manguezais da Baixada Santista. No dia 25 de fevereiro, analistas das duas instituições usaram drones para mapear, identificar e quantificar exemplares da espécie às margens do rio Perequê, em Cubatão (SP), combinando imagens aéreas com verificações em campo.
O mangue-maçã é uma espécie originária do Sudeste Asiático com características de crescimento agressivo e alta capacidade de dispersão. A planta pode atingir alturas de 15 a 20 metros e diâmetros de 20 a 30 centímetros, o que lhe confere vantagens competitivas sobre as espécies nativas. Seus frutos são pequenas bagas arredondadas de coloração verde, que lembram uma maçã, daí o nome popular. A planta também possui pneumatóforos maiores e mais rígidos do que os das espécies nativas, podendo atingir até 90 cm de altura.
Nativa da Índia, de Bangladesh, do Sri Lanka e de Mianmar, a espécie chegou à China em 1985 para uso na restauração de manguezais. Pesquisadores acreditam que ela chegou ao Brasil pela água de lastro de navios que viajavam da China ao porto de Santos, a apenas 2 quilômetros dos manguezais. Uma única árvore produz mais de 2 mil frutos semelhantes a maçãs, cada um contendo cerca de 60 sementes.
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Uma ameaça ao ecossistema
Os manguezais prestam serviços ecossistêmicos fundamentais, como fixação de carbono, proteção contra erosão e função de berçário para espécies marinhas de interesse econômico. A chegada do mangue-maçã coloca tudo isso em risco.
Nos manguezais de Cubatão, essas árvores chegam a quatro vezes a altura das espécies nativas. Especialistas alertam que a presença da planta provocará graves danos ambientais, tanto localmente quanto em outros manguezais. De acordo com o biólogo Geraldo Eysink, se a Sonneratia apetala vier a se espalhar, pode prejudicar a reprodução de peixes, caranguejos, ostras e mexilhões, afetando a vida de mais de 400 mil pescadores ao longo do litoral brasileiro.
Na China, o histórico da espécie já preocupa: ela invadiu florestas naturais no sul do país, o que reforça sua classificação como espécie exótica invasora. Um estudo de 2023 concluiu que a espécie desloca manguezais e sufoca o crescimento das plantas nativas. Na baía de Hong Kong, o Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação já realiza remoções regulares para proteger os manguezais nativos.
A resposta dos órgãos ambientais
Desde março de 2024, o Ibama monitora o impacto da espécie na região. Em parceria com pesquisadores, o Instituto realizou vistorias em campo que constataram a gravidade da situação, levando à adoção de medidas de Detecção Precoce e Resposta Rápida (DPRR). O primeiro registro formal no Brasil contabilizou 86 indivíduos. Esse número já ultrapassa 250 exemplares identificados.
A iniciativa integra a Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras e os compromissos do Brasil na Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), cujo Marco Global de Kunming-Montreal estabelece a meta de reduzir a introdução de espécies invasoras em 50% até 2030.
A erradicação ainda é possível por a espécie estar em fase inicial de bioinvasão. Para isso, o monitoramento contínuo e a capacitação de equipes para identificação precoce são considerados fundamentais.