Resumo da notícia
- A pesquisadora Mariangela Hungria recebeu a Medalha Luiz de Queiroz em 2026 pela Embrapa, reconhecendo sua contribuição em biotecnologia do solo e tecnologias biológicas para a agricultura.
- Desde 1991, Hungria desenvolve estudos com microrganismos como rizóbios e Azospirillum, que ajudam na fixação biológica de nitrogênio, reduzindo o uso de fertilizantes em culturas como soja, feijão e milho.
- Em 2025, ela foi homenageada com o World Food Prize, ampliando seu reconhecimento internacional por inovações que promovem a sustentabilidade e a produtividade agrícola.
A pesquisadora Mariangela Hungria, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), recebeu a Medalha Luiz de Queiroz em 8 de outubro de 2026, durante a 69ª Semana Luiz de Queiroz, realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP). A informação foi divulgada pela própria instituição.
A homenagem reconhece a contribuição da cientista à agricultura e à pesquisa agropecuária. Segundo a Esalq, sua trajetória inclui estudos em biotecnologia do solo e o desenvolvimento de tecnologias biológicas aplicadas à produção agrícola.
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Pesquisas desenvolvem tecnologias para diferentes culturas
De acordo com o perfil institucional divulgado pela Esalq, Mariangela Hungria atua na Embrapa Soja desde 1991. Antes disso, trabalhou na Embrapa Agrobiologia, entre 1982 e 1991.
A pesquisadora desenvolve estudos relacionados ao uso de microrganismos na agricultura. Entre as tecnologias destacadas pela Esalq estão estirpes de rizóbios para o feijoeiro, o uso de Azospirillum em culturas como milho, trigo e braquiárias e a coinoculação de rizóbios e Azospirillum em soja e feijão.
Essas soluções fazem parte do campo dos bioinsumos, que utiliza organismos ou substâncias de origem biológica para contribuir com o desenvolvimento das plantas e o manejo agrícola.
Na cultura da soja, a fixação biológica de nitrogênio permite que bactérias associadas às raízes disponibilizem às plantas o nitrogênio presente na atmosfera. Esse processo tem papel importante na nutrição da cultura e pode reduzir a necessidade de fertilizantes nitrogenados, conforme as condições de cultivo e o manejo adotado.
A Embrapa destaca o uso de tecnologias biológicas como parte das alternativas disponíveis à agricultura. Os resultados, entretanto, dependem das características de cada sistema produtivo e da aplicação adequada das soluções.
World Food Prize reconheceu trajetória científica
Em 2025, Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize, premiação internacional que reconhece contribuições relevantes para a produção e a disponibilidade de alimentos. O prêmio é frequentemente chamado de Nobel da Agricultura, embora essa seja uma denominação informal.
A conquista ampliou o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pela pesquisadora e chamou a atenção para as aplicações de microrganismos na agricultura.
Além de sua atuação na Embrapa, Mariangela participa da formação de pesquisadores. Segundo as informações biográficas divulgadas pela Esalq, ela também atua em programas de pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Formação acadêmica e trajetória profissional
De acordo com o perfil institucional da Esalq, Mariangela Hungria graduou-se em Engenharia Agronômica pela própria instituição em 1979. Em 1981, concluiu o mestrado em Solos e Nutrição de Plantas. O doutorado em Agronomia, na área de Ciência do Solo, foi obtido em 1985 pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Sua trajetória reúne décadas de pesquisa em microbiologia e biotecnologia aplicadas à agricultura. Ao longo desse período, desenvolveu trabalhos voltados ao uso de microrganismos em diferentes culturas agrícolas.
Medalha reconhece contribuição à agricultura
A Medalha Luiz de Queiroz é uma honraria concedida pela Esalq/USP a personalidades reconhecidas por seus méritos e serviços relacionados ao desenvolvimento da agricultura, conforme o histórico institucional da universidade.
A entrega a Mariangela Hungria, em outubro de 2026, acrescenta um reconhecimento à trajetória da pesquisadora, que também recebeu o World Food Prize em 2025.
A homenagem destaca a contribuição da pesquisa científica brasileira para o desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao campo, incluindo soluções biológicas voltadas à nutrição das plantas e ao manejo das culturas.